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[fan fic] City of the Damned - 10° Cap.

Enviado por toshinha em 20 Novembro, 2007 - 00:18.

nem demorou dessa vez, não me xinguem xD

boa leitura o_o/

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capítulo 10 - Hell

Yukihiro pôde ver claramente o sorriso de deboche no rosto de outro homem lá embaixo, que recém tirara seu capuz. Lembrava-se dele muito bem. Era um daqueles ciganos, de cabelos ondulados e negros, compridos até a base do pescoço, barba também negra, tinha uma enorme faca numa das mãos enquanto um rifle jazia pendurado em seu ombro. O Tzimisce riu mais um pouco antes de fazer um sinal claro com a mão, um sinal que fez o Awaji estremecer. Assim que o vampiro apontou o dedo para cima, todos os outros tomaram as armas nas mãos e rapidamente começaram a atirar em sua direção, fazendo com que a poeira que levantava com os tiros acertados nas pedras em volta impedisse o Tremere de enxergar qualquer coisa lá embaixo, e ele tentou se arrastar para sair dali o mais rápido que conseguiu. De repente ouviu o som de uma arma diferente sendo preparada lá embaixo, e se atirou de uma vez, tentando alcançar a proteção atrás da parede rochosa.
Mas não deu tempo, e ele gritou quando um enorme buraco se abriu em sua perna direita, espalhando sangue. Gemendo de dor, continuou se arrastando, levando tiros de raspão nas costas, até que chegou num espaço fora da mira dos invasores. Encolheu-se contra a parede e observou sua perna com uma vontade grande de destruir todo aquele lugar. Um tiro de espingarda calibre doze. Só isso poderia fazer um estrago daqueles. Vários buracos consecutivos, formando um grande abismo bem no meio de sua perna. Não conseguiria andar direito até que se regenerasse, e isso iria demorar muito, além do fato de que estava tonto de dor.
Não podia esperar ali, seria encontrado e exterminado como um verdadeiro rato. Mas se voltasse, seria pego novamente em todas as armadilhas. Tinha que tomar uma decisão, e rápido, porque podia ouvir os passos velozes dos homens lá embaixo, subindo rapidamente pelo lado do túnel que pretendia alcançar antes. Mas então um outro som chegou aos seus ouvidos, de uma forma muito assustadora. Arriscou-se a colocar a cabeça perto daquelas grades e espiar o que acontecia, e seus olhos se arregalaram tanto com o clarão que surgiu, que qualquer um poderia pensar que ele era ocidental. Um mar de fogo era a expressão que melhor definia o que aquele salão havia se tornado. Agora gritos desesperados reinavam, e ele podia ver alguns dos estranhos encapuzados correrem como loucos, cobertos por chamas. Não enxergava seu senhor, mas muitos dos seus colegas estavam queimando também. O Tzimisce não estava lá, e nem o Ravnos.
Mas sabia muito bem. O único que poderia ter feito aquilo era o velho.
Nisso usou todas as forças que tinha para conseguir se levantar, e foi cambaleando pelo caminho de volta, temendo as armadilhas, mas temendo mais ainda os Sabá que deveriam estar fugindo do salão inferior. Reuniu toda a coragem que tinha e sacou as duas submetralhadoras prateadas que tinha presas no cinto. As duas novas em folha. Nunca havia disparado um único tiro daquelas duas armas. Tentou andar mais rápido, as armas firmes nas mãos enquanto se apoiava pelas paredes, e ouviu um entrondo ensurdecedor vindo de trás. Com sorte, o túnel de pedra teria desabado e trancado a passagem deles, mas não podia se arriscar a voltar e olhar. Continuou, estranhamente sozinho, até chegar à parte do túnel que ele sabia ser perigosa. Teria que passar por ali novamente.
Foi logo, apressando o passo o máximo que podia com a perna perfurada e o osso parcialmente destruído, e não demorou muito para ter a velha sensação de perigo iminente. Jogou-se ao chão bem em tempo, na mesma hora que enxergou os riscos metálicos indo em sua direção, vindos das paredes, e escapou dos dardos pela segunda vez naquela noite. Levantou-se após alguns momentos, e só teve tempo de gemer de dor mais uma vez quando um último dardo, saído de algum lugar que não enxergava, o atingiu no peito. Arrancou-o com um único puxão e seguiu seu caminho, agora temendo as possíveis substâncias que estariam correndo em suas veias. Verbalizou alguns xingamentos enquanto continuava seu caminho, e parou de andar quando sentiu o chão tremer. Ótimo, as coisas seriam muito piores do que ele havia imaginado.

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Hyde estava nas ruas de novo. Agora se encontrava sentado, encostado a uma das paredes do beco sujo onde tinha entrado. Sentia-se culpado, mas não era algo que podia controlar. Olhou para o corpo caído ao seu lado, e agradeceu que ele ainda estivesse respirando. Tinha exagerado, mas não ao ponto de matá-lo. Reparou que tinha deixado escorrer sangue na camisa branca daquele jovem. Afundou o rosto nas mãos.
Aquele era o quinto, agora se sentia satisfeito, embora se sentisse também um monstro. Mas sua alimentação andava muito escassa nos últimos dias, não podia se controlar direito até que tivesse saciado sua fome por completo. E agora não sabia o que fazer. Não fazia idéia de onde ficava o templo Tremere, então não poderia falar com Yukihiro... Não tinha coragem de voltar ao hospital e falar com Tetsu mais uma vez, até porque ele já devia estar dormindo, e também não tinha a mínima inclinação de voltar para o bar. A casa de Dexter era outra opção que eliminara na mesma hora, não estava com vontade de ouvir o Malkaviano repetindo como deveria ter cuidado, como as coisas conspiravam contra ele, e como ver cachorros voando era legal. Enfim...
Um ponto positivo era que agora não sentia mais frio como quando saíra do apartamento do Awaji atrás de sangue. Fazia o líquido vermelho correr em suas veias e aquecer o seu corpo enquanto permanecia sentado ali, apenas de camiseta e calça como antes, e com os mesmos tênis furados dos lados. Sentia sua cabeça girar, mas não era de fome, não era de cansaço, não era de frio. Não sabia o motivo. Finalmente juntou motivação suficiente para se levantar, e deu uma última olhada no corpo desacordado do adolescente antes de rumar para fora do beco.
Foi instantâneo. Quando pisou fora do lugar, foi empurrado de volta com violência, por mãos que o agarravam pelos ombros. Antes de conseguir tomar consciência de quem o segurava, viu-se posto contra a parede suja do beco, e ficou totalmente congelado quando olhou nos olhos do ser à sua frente.
- Demorou, mas eu te achei.
Hyde teve um ataque de raiva tão forte, que teria rasgado aquele homem em duas partes se ele não fosse tão forte em mantê-lo preso. Há dias não via aquele rosto moreno e árabe, e aqueles olhos totalmente brancos que o encaravam com um ar de superioridade. A capa preta que ele usava esvoaçava atrás do corpo, com o vento leve que corria ali.
- E ainda dizem que é difícil pegar um Lasombra...
- Vá pro inferno... - mal terminou de proferir a última sílaba, levou um soco forte no rosto. E logo a mão direita do Assamita voltou a segurá-lo no ombro, agora erguendo-o do chão - Você precisa de tratamento, deve ser muito doente pra sair atrás de mim e ainda pensar que vai continuar inteiro...
- E você precisa que alguém feche a sua boca de uma vez. Podia ter me matado completamente naquela noite, com aquela mortalha, mas foi burro o suficiente pra me perder de vista. - o moreno sorriu ao fitar a marca que seu golpe deixara no rosto do menor - Um vampiro como você não é digno de continuar andando livremente.
- Então cala essa boca e faça alguma coisa, senhor da arrogância. - Hyde cuspiu no rosto do assassino, e pôde ver as veias saltando na cabeça dele - Acha que eu vou me importar se me matar de verdade? Só estou esperando.
- Se você soubesse o que vai te acontecer...
Hyde cuspiu no rosto do maior mais uma vez. Então o Assamita perdeu a paciência e o atirou contra a parede oposta, vendo-o cair enrolado no chão. Não teve tempo de sacar qualquer arma e o loiro se levantou de um salto, agarrando-o pela cintura e se jogando contra a parede junto dele, fazendo-o quebrar alguns tijolos ao bater as costas. Não quis dar tempo para o assassino se recompor e logo saiu correndo, tentando pensar num jeito de despistá-lo, mas foi pego pelos cabelos antes de conseguir sair das sombras do beco. Sentiu tudo girar ao seu redor quando foi lançado contra o chão, logo ao lado do rapaz desacordado, e depois não viu mais nada quando um golpe brutal o atingiu no rosto.
Khalid passou a chutar cada pedaço do corpo do loiro que alcançava com suas botas de solas metálicas, esquecendo-se momentaneamente das armas que tinha, e deu um último pisão forte no peito ele antes de recuperar a calma e sacar uma pistola longa. A essa altura Hyde já estava numa poça de sangue, encolhido no chão como uma criança assustada, o que deixava o assassino ainda mais exultante. E foi quando o loiro tentou se levantar que o homem sorriu e atirou duas vezes contra ele. Uma bala em cada ombro. Berrando, o Lasombra passou a se contorcer no chão, e o Assamita disparou mais duas vezes. Um tiro na coxa esquerda, outro no peito.
O baixinho ouviu ainda um outro tiro, e já esperava que outra dor lancinante começasse, quando percebeu que não fora atingido. Conseguiu erguer a cabeça apenas um pouco, e viu o Assamita totalmente paralisado, com as duas mãos apertando a própria nuca e uma expressão horrivelmente dolorida no rosto. E outro homem adentrou o beco, de negro, segurando uma arma apontada para o moreno. Hyde tentou vê-lo direito, mas não pôde manter a cabeça erguida. A dor o estava deixando num estado de dormência muito forte. Ouviu muitos outros tiros até que não sentiu mais a presença do Assamita ali.
- Haido... - ouviu o homem murmurar, e reconheceu aquela voz na mesma hora. Noites antes se sentiria aliviado, mas agora sentia medo. Ele se agachou ao seu lado, guardando a arma, e virou seu rosto com a mão para que o olhasse. Os olhos pretos do Yasunori pareciam preocupados, mas Hyde não queria se deixar enganar. Recuou o máximo que pôde no chão sujo e ensangüentado, tentando se afastar das mãos dele. - Não seja ridículo, Haido...
- Fique longe de mim... - o loiro disse, com a voz fraca, enquanto seu corpo ainda tentava expulsar os projéteis da arma do Assamita - Muito obrigado por me livrar dele, mas fique longe...
- Não é hora de ser orgulhoso. - Sakura tentou segurá-lo em seus braços, mas Hyde usou todas as forças que tinha para espernear o máximo possível e afastá-lo. O moreno apenas o mirou, ainda parecendo preocupado.
- Não me olhe assim! - Hyde fechou bem os olhos e continuou ali, ciente de que seu cabelo e suas roupas estavam empapados de sangue. O Yasunori voltou a pousar suas mãos sobre ele, dessa vez puxando-o de uma vez para o seu colo, resistindo aos movimentos bruscos que o pequeno fazia para tentar se livrar - Não encosta em mim, Sakura!
- Que merda, Haido, eu vou te tirar daqui!
- Me solta, Sakurazawa! EU JÁ DISSE PRA NÃO ENCOSTAR EM MIM!
- CALA A BOCA, HIDETO! - Hyde ficou mudo com o berro do moreno, assustado, agora sendo levantado por ele, deitado nos braços dele - Haido... - o maior continuou, agora falando mais baixo - Eu não vou te estuprar, vou te levar pra casa.
Vendo que não poderia fazer muita coisa, o loiro desistiu de gritar e espernear, e deixou que o outro o carregasse. Não quis nem pensar em comentar a última frase dele, temendo que talvez ele se transformasse de uma hora para a outra e acabasse fazendo o contrário do que havia dito. Ainda com medo, ficou em silêncio enquanto era levado para fora do beco, levado pelas ruas em direção àquele tão conhecido bar. Sentiu a bala que anteriormente estava alojada em seu peito ser cuspida para fora de seu corpo, e aquele buraco começou a se fechar. Perdeu os sentidos no meio do caminho, sentindo falta de todo o sangue que havia perdido em questão de momentos.

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Yukihiro jogou-se contra a parede num ato desesperado, agarrando-se a ela como se fosse sua última esperança de sobrevivência. Havia perdido suas armas no caminho. E esperou um momento antes de se recompor e perceber que nada mais o ameaçava. Mal podia acreditar que tinha conseguido atravessar o túnel todo. Sentou-se ali por um momento e observou sua perna, o buraco nela agora um tanto menor do que estava antes, e olhou para cima. Estava no ponto de partida do caminho para o salão circular, e agora havia apenas uma escada que o levaria para cima no poço de pedra, então ele abriria o alçapão acima e correria dali para procurar Hyde.
Precisava admitir que, embora fosse uma de suas maiores façanhas sair daquele lugar com as partes do corpo ainda unidas, tinha se deixado atingir por várias armadilhas, várias vezes. Isso porque não tinha mobilidade suficiente com seus ferimentos. E ainda não sabia o que teria naquele dardo que o atingiu, só sabia que ainda não fazia efeito algum. Olhou bem para o próprio corpo. Estava em trapos agora, depois de fugir de machados, lâminas, dardos, bolas de fogo... Levantou-se quase num pulo, lembrando-se que os Sabá poderiam ter conseguido superar a passagem soterrada, e colocou as mãos firmemente sobre a escada de ferro na parede de pedra.
Subiu rápido, sentindo a necessidade de se alimentar crescendo em seu interior, e quando chegou perto o suficiente do grande alçapão de metal, desferiu um único soco que o entortou. Reuniu mais forças em seu braço direito e socou mais uma vez, agora fazendo com que se abrisse. Não tinha tempo para chaves e cadeados no momento. Empurrou a tampa para o lado e terminou de subir as escadas, e assim que seu corpo todo chegou à superfície, jogou-se ali de qualquer jeito, cansado. O corredor claro fazia com que seus olhos doessem. Sua mente começou a formar uma corrente de pensamentos muito veloz, apenas aumentando a sensação de peso do seu corpo. Eles queriam Dexter. Eles queriam arrancar alguma coisa dele, Yukihiro tinha certeza.
Ouviu um som alto, o mesmo som que havia feito suas entranhas se retorcerem no fundo do túnel. Virou o corpo e enxergou um homem alto e sorridente, apontando-lhe o cano de uma espingarda diretamente no pescoço. Era o irmão do Ravnos do salão circular. Yukihiro nunca iria esquecer aquela expressão arrogante e aquele lenço vermelho-sangue que ele mantinha preso na cabeça.
- Correu direto para a ratoeira... - ele disse, e logo ao seu lado surgiu um outro homem, mais baixo, vestindo algo que parecia um lençol negro com uma única abertura para que sua cabeça passasse. Parecia jovem demais. O único vampiro realmente japonês que havia visto com aquele grupo do Sabá até agora, branco como papel, cabelos negros caindo aos olhos.
- E ainda precisamos ouvir bobagens sobre a inteligência dos Tremere. - o jovem disse, calmo, sem nenhuma alteração em sua expressão - Correu até aqui como um degenerado atrás de um quadro novo. Ande Yago, faça mais um furo nele e vamos levá-lo logo daqui.
- Como quiser. - o Awaji sentiu mais um tiro horrível atingi-lo, na região do estômago. Fechou os olhos e cerrou os dentes para conter o grito, imaginando como estaria sua aparência agora. Yago jogou a arma para o outro e o tirou do chão sem cerimônia, passando um dos braços do feiticeiro em torno de seu pescoço, e seguiram pelo longo corredor atrás do jovem pálido.
- É incrível saber que o seu belo santuário agora está nas nossas mãos, não é? - o jovem o provocou, mas Yukihiro nada respondeu. - Passei décadas ouvindo histórias sobre como era impossível invadir um templo Tremere, imagine a minha decepção ao chegar aqui e encontrar um bando de fracos que não sabem nem defender seu próprio território.
Os minutos passaram como séculos para o Awaji, que precisava ouvir as provocações do rapaz e os resmungos de satisfação do Ravnos que o carregava. Ele tinha os olhos fechados, mas sabia bem que já estavam do outro lado do prédio, e de repente precisou voltar a ficar alerta quando entraram numa sala e foi jogado no piso gelado. Foi como se alguém arrancasse tudo o que ele tinha dentro do corpo. Estava no laboratório de seu senhor. Via os tubos de ensaio sobre uma mesa branca e comprida, via os modelos, os vidros cheios de líquidos estranhos, a estante escura atulhada de livros velhos.
- Pegamos um, Camilla. - disse Yago, satisfeito, e Yukihiro viu uma mulher alta sair de trás da estante. Cabelos negros e longos, expressão ainda mais vazia que a do jovem pálido. Usava um vestido preto e elegante, e quanto mais se aproximava, mais o Awaji sentia o terrível cheiro de cadáver que ela exalava.
- Ótimo. - ela murmurou, e foi com susto que o Tremere a viu sorrir de um modo ainda mais maníaco que o Tzimisce, rompendo aquela frieza de antes - O Khalid já voltou?
- Ele não apareceu ainda, não sei o que o Kojiro o mandou fazer dessa vez. - Yukihiro mantinha silêncio, escutando com atenção as palavras do Ravnos - Talvez esteja procurando o Malkaviano em algum outro lugar, ou foi atrás daquele Lasombra.
- Foi atrás do Lasombra. Kojiro não perderia tempo vindo aqui se já tivesse alguém atrás do Malkaviano. - disse a mulher, e Yago emudeceu - Agora faça o favor de amarrar esse infeliz em algum lugar, antes que ele ache que pode fazer truques de mágica como os seus.
- Eu não sou seu escravo... - ele resmungou, mas logo obedeceu, parecendo temer alguma coisa. O Awaji foi arrastado pela sala até uma das longas mesas encostadas às paredes, e o Ravnos o levantou e o largou sobre ela com descaso. Logo correntes circundaram seus pulsos, seu peito e suas pernas, e ele não gostou nada quando notou que eram feitas de ossos. Fortes demais para ossos normais, mas continuavam sendo ossos. Deveriam ser resultado de alguma experiência de seu senhor.
- Eu só queria saber por que estão demorando tanto lá embaixo. - disse o rapaz de cabelos negros, aproximando-se de Yukihiro e circundando a mesa a passos lentos - Você fez alguma coisa por acaso? - olhou fixamente nos olhos do Awaji.
- Olhe bem o que está dizendo. Como ele poderia ter feito alguma coisa sozinho?
- Yago, você é inteligente, mas não gosta de praticar o exercício do pensamento. Da mesma forma que não pensou antes de atacar aquele mortal.
- Você sabe que ele precisava ser advertido! - Yago se exaltou, parecendo irritado que alguém questionasse seus métodos, e Yukihiro continuou tão calado como quando entrara ali. - Ele e aquele amigo dele precisam parar de tentar bancar os caça-vampiros!
- Como se eles fossem alguma ameaça... - o jovem revirou os olhos e se sentou ao lado do Awaji na mesa. - Por mais que eles irritem, Yago, eles não são nada. Você pode se divertir com os dois depois que terminarmos o nosso serviço nessa cidade deplorável.
- Mas o Khalid concordou. Os humanos precisam ser colocados no lugar deles, e parar de pensar que somos caça.
- E isso vai acontecer, mas não agora. - disse Camilla, andando em direção à porta - Eu quero saber onde o Kojiro e os irmãos de vocês se meteram.
Todos fizeram silêncio e o Awaji teve tempo para se acalmar de verdade. Pelo jeito não se interessavam em destruí-lo, pelo menos não ainda. Talvez quisessem interrogá-lo para saber de Dexter. Mas ele ainda estava absorvendo toda a conversa entre aqueles três vampiros. Um tal de Khalid estaria atrás de algum Lasombra, mas qual Lasombra? Chegou à conclusão tão rápido que se sentiu um completo tolo por se fazer aquela pergunta. Khalid. Um nome árabe. Deveria ser o Assamita. O únicos Lasombra que seriam prováveis alvos daquele homem, eram Sakura e Hyde, os dois únicos Lasombra na luta contra o Sabá naquela noite. Ficou imediatamente preocupado e aflito, mas não conseguia pensar por que aquela seita poderia estar interessada em algum dos dois.
Sakura era poderoso, e Hyde ainda mais, mas não era uma explicação razoável. Hyde era muito instável para que se interessassem em recrutá-lo, era sentimental demais para um vampiro. E Sakura estapearia o Assamita antes de lhe dizer um sim. Ou talvez quisessem matá-los? Mas por quê? Desafiar o Sabá em nome da Camarilla não era motivo suficiente para uma perseguição individual. Naquele momento Yukihiro desejou que aqueles dois fizessem as pazes, se entendessem e estivessem juntos, pois não sabia a amplitude da força do assassino. Hyde poderia até ser mais forte que ele, mas dificilmente conseguiria vencê-lo sozinho...
Ainda se lembrava da última vez que haviam enfrentado um grande desafio, justamente contra o Sabá. Eram apenas ele e Hyde na costa da Irlanda, praguejando contra o antigo Príncipe que os havia mandado até lá. Sakura estava perdido e tentavam encontrar a ele e mais um Brujah com quem viajavam, embrenhando-se por cavernas, subindo rochas sem pista alguma. Lembrava-se perfeitamente do medo que sentiam sempre que encontravam algum lugar para dormir, temendo que o sol pudesse alcançá-los onde quer que estivessem, e lembrava-se também de quando haviam sido encontrados por um grupo de trinta vampiros do Sabá.
Quase encontraram sua morte final naquela vez. Yuki havia feito de tudo contra os inimigos, lançado bolas de fogo, criado incêndios grandes para afastá-los, mesmo que assustasse o Takarai no processo. Mas quando o fogo morria eles voltavam, parecendo ainda mais fortes e ameaçadores, e Hyde pegava vários de uma vez com seus tentáculos de sombras, esmagava-os até perderem os sentidos, transpassava todos que conseguia com uma espada leve de prata que tinha na época. Yukihiro lançava vampiros longe, os levitava e depois atirava no mar, ganhando tempo para se esconderem. Aquela havia sido a última vez que vira Hyde usar a mortalha antes de noites atrás. Já fazia vinte e poucos anos, exatamente um ano antes de Seiji tomar o poder de Tókio, pelo que se lembrava. O fracasso supremo daquela missão que o antigo Príncipe havia arquitetado foi demais para os anciões, que o chutaram do poder sem piedade alguma e colocaram o Ventrue em seu lugar.
Fracasso sim, pois tinham voltado em desespero assim que encontraram o Yasunori. Infelizmente, seu companheiro Brujah parecia ter se perdido do lugar onde estava acampado, e encontraram apenas as cinzas dele. Lembrava de passarem uma semana inteira escondidos no porão velho de uma casa abandonada num pequeno povoado, sem notícias, sem nada. Ele havia passado uma semana inteira agüentando um Sakurazawa extremamente chato e louco por um pouco de sexo enquanto Hyde gritava com ele e dizia que tinham muitas coisas mais importantes em que pensar. Agradeceu profundamente que ele pensasse assim, não agüentaria aqueles dois debaixo do mesmo teto que ele. E teve certeza de que o Takarai seria acorrentado na cama assim que voltassem para o Japão.
E em todas as situações mais extremas, o loiro sempre se desesperava e não conseguia enfrentar os inimigos propriamente, fugia desabalado sempre que Yuki usava fogo, parecia ter mais medo de lutar do que ser encontrado e morto em algum esconderijo. Só lutava quando estava irremediavelmente encurralado. Não era covardia, era uma coisa muito mais complicada. O que diabos o Sabá poderia estar querendo com ele agora? E se fosse Sakura? Lógico, qualquer um gostaria de ter um ser totalmente rebelde em seu exército, pensou, com ironia.
Um golpe forte em seu estômago perfurado o fez voltar à realidade com uma dor terrível, e de repente ele enxergou o Tzimisce à sua frente, parado, sorrindo. Ao lado dele agora os dois Ravnos, e havia ainda dois outros homens de preto na sala. Um deles parecendo tão pálido como aquele jovem que estivera ao seu lado pouco antes, e o outro gigantesco e de porte intimidador.
- Boa noite, Yukihiro.
O Awaji não teve vontade de perguntar como o grotesco vampiro sabia seu nome. - Pra você deve ser uma ótima noite mesmo. - resmungou.
- Verdade. Sabe, aquele velho lá embaixo não parou de gritar o seu nome. - Yuki sentiu algo muito ruim se apossar de seu corpo - Ele parecia achar que você poderia me matar... Mas ele foi muito esperto, metade dos meus homens fugiram, e muitos outros queimaram até as cinzas naquele incêndio que ele fez... Pena que os seus colegas queimaram também...
- Incêndio? - perguntou Camilla, parecendo surpresa - O velho mestre Tremere preferiu morrer queimado?
- Preferiu, mas não morreu. Dimitri me ajudou a garantir que ele não se queimasse, enquanto ainda precisamos dele. - nesse momento o outro Ravnos deu um sorriso triunfante, parecendo caçoar do Awaji - Mas o interessante foi que ele conseguiu explodir o teto to túnel, demoramos porque estávamos presos.
- Como vocês passaram pelas armadilhas? - Yukihiro não pôde se refrear. Sabia que, se as emboscadas tinham sido horríveis para ele, deveriam ter sido ainda piores para os outros. Mesmo que fossem ativadas, as armadilhas eram mais pesadas com outros clãs.
O Tzimisce riu, e o jovem pálido de antes se aproximou também. O detalhe era que agora ele vinha junto de outro jovem idêntico a ele, os dois se diferenciavam apenas nos cabelos, que eram espetados no caso do outro jovem, como se ele tivesse recebido uma descarga elétrica muito forte.
- Aquelas armadilhas eram uma piada. - disse o jovem de cabelos espetados, e Yukihiro viu algumas sombras se concentrando no braço dele para formar um longo tentáculo, como aqueles que se acostumara a ver Hyde produzir. Aquele braço de sombras o envolveu pelo pescoço, e o Tremere sentiu uma certa dor com o aperto forçado. - E você também é uma piada, vejo isso desde aquela noite.
- Eram vocês dois... - Yuki não conteve a surpresa em seu olhar, mirando os dois jovens idênticos - Os Lasombra que desapareceram durante o combate...
- Nós não desaparecemos. - disse o outro - Você só pensa que fizemos isso. Mas eu acho que Kojiro-san tem assuntos mais importantes a tratar com você agora.
Assim o tentáculo o libertou e os dois jovens se afastaram, seguidos pelos irmãos Ravnos. Via apenas a silhueta de Camilla e o rosto do Tzimisce agora.
- Muito bem. - disse ele, estralando os longos e finos dedos - Você vai me dizer tudo o que sabe sobre aquele Dexter. - o receio aumentou na cabeça de Yukihiro quando viu Kojiro retirar duas grossas facas de dentro do casaco.

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Foi um susto acordar e ver o teto do próprio quarto. Sentou-se e notou que estava na própria cama, via seu caixão mais adiante no chão, e ao lado o do Yasunori. Passou as mãos pelo corpo, e não notou mais nenhuma abertura provocada pelos tiros, embora estivesse sujo de sangue, mas uma fome que chegava a doer tomou conta de si. Demorou para notar a presença de Sakura e Kazuo ali, observando-o. Ficou feliz ao rever o atendente magricela do bar, mas ainda tinha receio do outro, então permaneceu quieto.
- Tudo bem com você, Haido-san? - Kazuo pediu, segurando uma de suas conhecidas garrafas nas mãos - Sakura-san disse que você foi atacado...
- Fui, mas estou melhor. - seu olhar encontrou o do moreno, e pôde notar que ele estava verdadeiramente preocupado - Só estou com fome.
- Ah, certo... - o atendente alcançou-lhe a cobiçada garrafa repleta de sangue, e Hyde pareceu um homem recém resgatado do deserto que ganhava um pouco de água. - Tem mais aí ao lado da cama... agora é melhor eu voltar lá para cima...
Kazuo deixou o quarto e fechou a porta antes o loiro que pudesse protestar, e agora estava sozinho com Sakura. Tentou não olhar muito para ele e continuou bebendo, ainda inseguro sobre o que deveria fazer.
- Hyde...
- Muito obrigado por salvar o meu pescoço. - o baixinho o interrompeu, tomando o último gole da garrafa e pegando outra ao pé da cama.
- Como se você precisasse agradecer... sabe que eu não podia deixar você lá com aquele louco, eu te a...
- Logo eu volto para a casa do Yuki. - Hyde o cortou novamente, com a voz levemente trêmula. Sabia que quebraria aquela garrafa na cabeça dele se ele terminasse a frase. - Só preciso conseguir andar direito de novo.
- Você não tem que ir embora. Eu fui um idiota no outro dia, mas...
- É, eu sei que você foi, não precisa me lembrar! - Sakura pareceu assustado diante da exclamação do menor - Você não vai se desculpar dessa vez, eu não vou deixar, porque você nunca é sincero quando pede desculpas. Aproveitando que estou aqui, vou juntar minhas coisas e ir embora de vez.
- Eu já falei que não precisa ir embora, é só me escutar...
- Mas eu não quero. - o loiro disse com frieza, tentando ao máximo esconder que se sentia mais destruído do que ele poderia imaginar - Eu não quero ouvir mais um monte de palavras vazias, me poupe disso Sakurazawa. Você não é mais o Saku-chan, e já faz tempo.
- Então eu mudei? - agora havia uma centelha de raiva no olhar do moreno - Pois fique sabendo que você também mudou, e muito, seu idiota! - Hyde apenas olhou para ele, tão assustado quanto ele parecera antes - Eu não vejo mais o Hideto que eu conheci quando ainda era vivo. Onde foi parar aquele garoto inconseqüente e promíscuo que você era? Bebendo em bares até o raiar do dia, sendo arrastado para casa por algum amigo que não queria que seus pais descobrissem o que você fazia! Depois abrindo a janela do quarto quase toda noite, para que eu pudesse entrar... e sempre me pedia pra fazer silêncio, já que ninguém podia saber... se seu pai soubesse você não teria mais a sua porcentagem de diversão carnal... Esse Hideto, ele morreu naquela noite em que nos pegaram! Você mudou muito mais do que imagina!
- Então parece que os papéis se inverteram! - Hyde retrucou, conseguindo forças para se levantar da cama, magoado com tudo o que ouvia, sem acreditar que Sakura estava usando aquelas coisas contra ele. - Era daquele Hideto que você gostava, não era? Aquele idiota que dava pra você todas as noites, às vezes bêbado demais pra reclamar de qualquer coisa! Você me amava porque era fácil conviver comigo assim, sem conflitos interiores e sem a agonia de ser um vampiro, não é? Porque eu era um louco sem noção como você! Agora você é esse bruto imbecil comigo simplesmente porque não está mais tão fácil! Quer saber? - ele fez uma pausa, parando bem em frente ao Yasunori e olhando em seus olhos - Eu quero mais é que você se ferre. Porque eu vou embora, e você não vai me segurar aqui. Exatamente como o Hideto que você amava morreu, o Sakura que eu amava também morreu.
- PODE IR ENTÃO! - o maior berrou, e por mais incrível que pudesse parecer, Hyde não teve medo dele. Pelo contrário, resolveu usar a primeira provocação que surgiu em sua mente, sem pensar no que poderia acontecer.
- Vou mesmo, só quero levar as minhas coisas... Agora que não sou mais o seu brinquedo, se eu quiser virar o do Seiji, o problema é meu.
Quando teve certeza de que iria perder muitos dentes, antes mesmo que Sakura pudesse pôr as mãos nele, a porta se abriu de forma violenta e Kazuo entrou seguido de uma mulher que parecia cansada. Ela usava uma capa surrada de viagem, tinha os cabelos negros desgrenhados, talvez por ter corrido, e o rosto conhecido era de uma expressão que Hyde teve certeza... trazia más notícias.
- Megumi? - ele só pôde expressar choque quando a reconheceu, mas ela ergueu a mão e balançou a cabeça, fazendo com que se calasse.
- Não quis interromper a grande demonstração de carinho entre vocês dois. - ela lançou um olhar gélido ao Yasunori - Mas o Sabá... eles tomaram o templo Tremere...
Foi como levar um soco no rosto. O templo Tremere, o único lugar de Tókio mais bem guardado que a sede de governo do Príncipe. Os maiores feiticeiros que já vira. Yukihiro foi o primeiro nome que surgiu em sua mente, e ele sentiu algo nauseante crescendo em seu íntimo. Já tinha perdido Sakura. Não podia perder o Awaji também.

 

 

~continua~


( Categorias: )
foto do(a) Nasake
Moderador

mew que capitulo delicioso

mew que capitulo delicioso *______________*~

essa fic é tããão boa, não me canso de dizer *O*~

a toshinha judiou legal deles :~~
btw, o msn caiu e não quer voltar. :*


foto do(a) Nana
Moderador

nooooooooooooooooooooooo!!!!!

nooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!

yukiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!! <O> 


foto do(a) vivian
Editor

nossa.... tá cada vez

nossa.... tá cada vez melhor essa fic *__________*

ui tadinho do yuki e o haido T-T

o q será q vai acontecer á eles hein?

ñ demora nee-chan u.u

e tu tb nasa ¬¬ 

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foto do(a) Haruhi

mew que capitulo delicioso

mew que capitulo delicioso *______________*~  [2]

Tadinho do hyde e do yuki, sofreram muito nesse cap >_<
Nhaa tá muiito boa a fic Tasha!
Não demora pra postar o próximo, tó curiosa *O*~ 

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♡ ѕєιиαяυ уσяυ иι кυ¢нιzυкє ωσ! тнαик уσυ נєѕυѕ ♡ 

  


foto do(a) Sora Pepino

\õ/

Muuuito boom *-*~

Poxa, vc judio bastante do Yuki e do Hyde nesse cap. heim u.u'

Ah... e quando o Hyde e o Tet vão se ver de novo? xD

Haistu Haitsu! *_*

Não demora, onegai ><


foto do(a) Nah Neko

          \o/  

          \o/   \o/

OMG!!! perrrrfeito

  kra ta muito bom \o\

  


foto do(a) Fran en ciel

Ah que perfeito

Tiaaaa demorou mas eu disse que ia ler tua fic xD

Tá muito perfeita \o>

coitado do yuki, e do hyde *sai correndo com maletinha de 1º socorros*

Ah... e quando o Hyde e o Tet vão se ver de novo? xD

Haistu Haitsu! *_*[2]

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foto do(a) Natty

*-*

Muito bom Toshinhaaaaaaa ...

Nyaaaaaaa ... qu do do Hy-chan e do yuki .. T.T

Do Sakura naum muito ¬¬  Mais setehq ele foi "bonzinhu" nesse capitulo ... pelo menos por um tempo !!!

 


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