
Tá, dessa vez podem me esquartejar pela demora que eu não me importo x__x
foi falta de inspiração misturada com preguiça pura e simples, então podem me bater ._.
e eu acho que o próximo vai demorar também, mas são outros quinhentos =x
boa leitura \o
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capítulo 14 - Fighting forces
O que Hyde sentiu ao acordar foi uma dor de cabeça torturante. Ele não queria acreditar que a noite anterior havia terminado daquela forma, mas seus pensamentos o forçavam a lembrar tudo. Tudo mesmo. Ficou por alguns minutos apenas olhando para a escuridão dentro do caixão, sem querer sair dali. Se saísse veria Yukihiro, e ele ficaria tentando saber o que tinha acontecido.
- Hyde? - ouviu o amigo chamando, e de muito perto. Ótimo, ele estava ali no quarto. - Eu sei que você não pode estar dormindo ainda, levante-se daí...
- Eu não tenho vontade. - Yukihiro retirou a tampa do caixão antes mesmo do loiro terminar a frase, e o encontrou usando exatamente as mesmas roupas da noite anterior, até os tênis.
- Quer me contar o que houve?
- Não.
- Então vai continuar deitado aí com essa cara a noite toda?
- Vou.
- Tenha dó... - o Awaji o pegou pelos pulsos e o puxou para que se levantasse - Você está me saindo uma perfeita criança. Anda, o Kazuo veio trazer umas garrafas pra você.
O menor foi praticamente arrastado até a sala e viu o conhecido atendente do bar sentado no sofá, magro e pálido como sempre, segurando uma grande mochila no colo. Ele mudou sua expressão preocupada para uma de alívio assim que o viu, e Hyde imaginou se os outros Lasombra estariam preocupados com sua falta no bar. Kazuo se levantou e alcançou a mochila para o loiro assim que se aproximaram, e Yukihiro foi até a janela observar o movimento dos carros lá embaixo.
- Eu imaginei que talvez precisasse disso já que não gosta de atacar pessoas, Haido-sama... - ele disse em voz baixa, e Hyde abriu a mochila. Devia ter umas dez garrafas com sangue lá dentro, não era à toa que ele parecia segurá-la com tanto cuidado.
- Muito obrigado, mesmo.
Kazuo fez uma breve reverência - Haido-sama poderia me responder se pretende voltar para o Guillotine?
Passou-se um momento pesado de silêncio. Toda a noite anterior voltava a açoitar as memórias do Takarai. - Pretendo sim, e em pouco tempo. Aquilo deve estar uma bagunça sem mim...
- Nem tanto... - Kazuo respondeu, sorrindo, e Hyde se sentiu um pouco mais animado por conseguir fazer pelo menos o atendente ficar mais alegre - Mas vai ser melhor quando voltar, Haido-sama. Os outros estão... um pouco inquietos com a ausência de um mais velho.
- Ah... - subitamente o loiro se lembrou de Sakura, e conseqüentemente da missão. Queria arrancar o couro do Príncipe, mas ainda precisava da permissão dele para continuar vivendo na cidade... então era melhor fazer o que ele mandava, pelo menos por hora. - Você não faz idéia de onde o Sakurazawa se meteu?
- Não, Sakura-san só enfiou umas roupas e umas garrafas numa mochila e foi embora...
- Mas você não falou com ele nem nada?
- Falei... - por um momento o atendente pareceu hesitante, e Hyde já sentia um nó se formando em sua garganta - Sakura-san disse que não podia mais ficar lá, que precisava sumir... Também disse que se Haido-sama não precisa mais dele, ele também não precisa mais de nós, e...
- E...
- Ele me pediu pra cuidar do senhor, Haido-sama.
Hyde teve vontade de subir no terraço do prédio, enfiar uma estaca no próprio peito e esperar o sol nascer. Tudo bem, Sakura era um idiota. Mas era o idiota que tinha passado décadas e décadas ao seu lado, e agora não fazia idéia de onde ele estava, e por mais que não quisesse ainda se preocupava com ele. Não era o mesmo sentimento que tinha antes, mas se preocupava. Sentia que as coisas estavam caindo na sua cabeça com uma velocidade muito grande para que pudesse reagir. Sakura, o Príncipe, e Tetsu. Nenhum deles era o que pensava que fossem. Parecia que seus pensamentos dariam um nó tão forte que ele não poderia mais desfazer.
- Agora eu preciso voltar para o bar, o lugar tem que abrir em meia hora...
- Tudo bem Kazuo... Só avise aos outros que eu vou voltar logo.
- Quer que eu suma com o resto das coisas do Sakura-san?
Hyde pensou seriamente na hipótese por alguns momentos. Mas alguma coisa o bloqueava.
- Ainda não. Ele pode voltar e precisar das coisas dele, e eu não vou ser idiota como ele foi comigo. Primeiro eu devolvo as coisas dele, e depois eu chuto ele de lá de novo.
Kazuo riu e fez outra reverência antes de se dirigir à porta, seguido pelo Awaji. Hyde se jogou no sofá e pegou uma daquelas garrafas, observando-a. Quase teve um acesso de raiva ao se lembrar que aquilo dentro da garrafa era o motivo pelo qual havia perdido um pouco do autocontrole na noite anterior, e estragado tudo. Tinha vontade de arrebentar aquela garrafa na parede, mas seria espancado pelo Awaji depois. Soltou um longo suspiro, desanimado, e ficou ali mirando o teto. Não adiantava. A primeira imagem que invadia seus pensamentos era Tetsu segurando aquele rifle.
- Afim de me contar o que foi que desabou no seu mundo confuso agora? - Yukihiro perguntou de repente, sobressaltando o menor, e sentou-se ao lado dele no espaço que restava no sofá - Tem a ver com o Sakurazawa, o Seiji, ou o Tetsu?
- Os três.
- Qual é o pior?
- Você. Mas dentre os três problemas, o pior é o... Tetsu.
- Já conseguiu brigar com ele? - Hyde afirmou com um aceno de cabeça, meio torto no sofá - Você é inacreditável.
- Você conhece bem o meu poder de estragar as raras coisas boas que eu tenho.
- Não se incomode muito, algo me diz que essa "briga" de vocês não dura muito.
- Ah, e você acha mesmo isso, sem nem saber o que aconteceu Yuki?
- Acho. E é bom você desfazer essa cara de emburrado com a morte, porque hoje nós temos que começar a procurar o Sakurazawa. E você vai começar a procurar perto daquele lugar onde nós enfrentamos Kojiro e os outros pela primeira vez.
- Por que lá? - Hyde estava confuso.
- Porque o Sakura não ia se esconder em lugares óbvios, e aquele lugar não é óbvio. Você vai pra lá, a Megumi vai para os lados do... antigo Templo Tremere... - o loiro viu uma certa mágoa no olhar do Awaji. Talvez ele demorasse para aceitar o que tinha acontecido ao seu clã. - E eu vou olhar nos esgotos.
- Eu acho que esses lugares são óbvios, Yuki-kun.
- Justamente por serem óbvios eles deixam de ser tão óbvios.
- Não Yuki... - Hyde disse, totalmente descrente naquele plano - Mas se é isso que você quer, eu vou até lá.
- Bom menino, Hideto.
- Não me chame assim. - o loiro respondeu, rindo, e levantou-se do sofá, abrindo a garrafa que tinha em mãos e tomando o líquido vermelho até a metade, num gole só. - Eu só vou me arrumar e já vou procurar aquele troglodita.
Yukihiro girou os olhos enquanto o outro deixava a sala bebendo o resto do sangue, e logo ouviu o a batida da porta do quarto dele. E Hyde se trancou lá, jogando-se dentro do caixão novamente. A idéia de precisar procurar o Yasunori o fazia lembrar de como tinha sido idiota ao se descontrolar na casa do Ogawa. Ele não tinha mais Sakura, na verdade se sentia aliviado por isso, mas o que vinha mantendo-o seguro era o fato de estar saindo com aquele ruivo. Por isso tinha vontade de ficar ali e bater a cabeça contra a madeira do caixão até que latejasse.
Tetsu era sua esperança de não ficar sozinho, e ele tinha arruinado tudo. E não importava o que fizesse, aqueles pensamentos não iriam deixar sua mente em paz tão cedo. Além de ser uma fuga de sua solidão, Tetsu era alguém com quem ele se importava demais, alguém de quem ele gostava muito. Não acreditava em sua própria burrice. Se ele era mesmo caçador, agora deveria estar rodando a cidade com o Kitamura, atrás dele, procurando sua toca, querendo exterminá-lo...
Levantou-se rápido e abriu suas malas. Precisava se trocar e sair logo atrás do idiota do Sakura, distrair sua mente com alguma outra coisa por um momento que fosse.
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- Te-chan... você passou o dia todo aí dentro, não quer comer alguma coisa?
- Não. - Ken ouviu o ruivo responder de dentro do quarto. Estava começando a ficar preocupado com ele.
- Mas o que foi que aconteceu afinal?
- Nada, Ken-chan. - passados alguns momentos de silêncio, Tetsu ouviu os passos do amigo se distanciarem pela sala. Estava mesmo deitado naquela cama o dia todo, usando roupas velhas, não tinha saído dali por nada, mas por alguma razão não sentia fome nem nada assim. Sentia seus olhos mais inchados do que nunca. Era patético, mas fazia muito tempo que não chorava tanto, e aquele rifle jogado no meio do quarto só o ajudava a se lembrar... mas não tinha vontade suficiente para se levantar dali e guardar a arma em algum outro lugar.
Naquele momento, e durante o dia todo, haviam duas forças lutando dentro dele. Uma parte queria contar tudo ao Kitamura, pegar aquela arma e caçar Hyde até conseguir fazê-lo virar cinzas, queria torturá-lo por tê-lo enganado. E a outra parte queria encontrar o Takarai também, mas queria apenas falar com ele, queria se desculpar por ter lhe apontado uma arma, queria abraçá-lo mais uma vez e dizer que não se importava com o que ele era. O problema era que essas duas partes dele haviam lutado de igual para igual o dia inteiro.
Ao mesmo tempo que ele ficava relembrando todas as vezes que havia saído com o loiro, todas as vezes que haviam se divertido juntos, ele se lembrava do fato de que ele pertencia à mesma raça de monstros que tinham destruído sua família. E então uma pergunta surgia em sua mente. Hyde merecia ser punido e odiado pelo que outros vampiros haviam feito? Se ele decidisse que a resposta era sim, iria atrás dele e talvez conseguisse destruí-lo. Depois se sentiria um monstro, mas o faria. Mas e se ele pensasse e descobrisse que a resposta era negativa? Então tudo o que ele e Ken haviam feito por todos aqueles anos pareceria tremendamente errado.
O pior era que ele já sabia a resposta. Queria negar, mas sabia. Durante todo aquele dia ele havia amaldiçoado Hyde com palavras e depois se arrependido, havia chutado paredes, quebrado coisas... e tudo por não querer admitir uma coisa que ele já sabia havia muito tempo. Não eram todos os vampiros que saíam por aí desfazendo famílias. Hyde não passava esse tipo de sentimento horrível.
Se ele fosse tão monstruoso como Ken sempre o fizera acreditar que todos os vampiros eram, então por que ele havia saído dali sem dizer nada na noite anterior? Se ele fosse um ser horrível e sem coração como era dito, teria feito migalhas daquele rifle e feito com ele coisas piores do que o tal Ravnos Yago que o atacara.
Tudo bem, agora não sabia mais o que fazer. Ficou olhando para o rifle longamente. Num movimento repentino, resolveu se sentar, e então respirou fundo antes de tomar uma decisão. Talvez não estivesse agindo como deveria, mas pelo menos uma vez na vida quis fazer alguma coisa por sentir que era certo, e não movido por uma vingança que não fazia mais o menor sentido.
Deixaria-se guiar pela parte que falasse mais alto no momento.
Era loucura total, mas não contaria ao Kitamura nada do que tinha acontecido. O que mais precisava era encontrar aquele loiro e falar com ele, precisava deixar tudo esclarecido. Talvez não desse certo, mas pelo menos saberia finalmente o que Hyde tinha na cabeça. Saberia se ele estava realmente brincando com ele como pensara a princípio, ou se podia confiar nele como estava querendo.
Levantou-se daquela cama e sentiu-se tonto por um segundo. Após se recuperar, pensou seriamente em nunca mais ficar tanto tempo deitado e depois se levantar de repente. Foi em direção ao grande armário do outro lado do quarto e escolheu roupas de um legítimo caçador de vampiros, como quando saía com Ken todas as noites, armado de todas as maneiras possíveis. Roupas pretas em mãos, saiu do quarto e atravessou a sala até o corredor, indo rapidamente até o banheiro antes que o amigo o visse. Tomou o banho mais rápido da sua vida e se vestiu com igual rapidez, saindo dali com um casaco pesado e longo por cima da camiseta, voltando ao quarto para calçar suas botas.
Feito isso, abriu a última gaveta do armário e começou a escolher entre todas as armas que tinha lá. Escondeu duas pistolas e munição dentro do casaco, outra no cinto que usava, e retirou também um fuzil preto daquela gaveta. Não estava pensando em caçar Hyde, muito pelo contrário, mas alguma coisa lhe dizia que deveria sair de casa bem preparado. Por algum motivo ele pressentia confusão, mas mesmo assim estava decidido a encontrar o Takarai. Começando pelo bar Guillotine.
Depois de um certo trabalho, conseguiu esconder o fuzil no casaco, precisando deixar para trás uma das pistolas, e saiu do quarto novamente. Nada do Kitamura ali, e podia ouvir barulhos altos vindos da cozinha, o que indicava que o moreno estava se arriscando com as panelas.
- Ken-chan, eu vou pegar o carro, preciso sair! - exclamou, e rapidamente recolheu as chaves do carro que estavam sobre a mesa da sala e saiu de casa. Trancou bem a porta e quase saltou até o veículo que se encontrava fora da garagem. Assim que entrou, viu Ken acenando em interrogação pela janela da casa, mas apenas acenou de volta e ligou o carro.
Fez o máximo para dirigir com calma, e depois de pouco mais que quinze minutos estava estacionando em frente ao Guillotine, vendo algumas pessoas lá dentro, o movimento começando a crescer com o cair da noite. Trancou bem o carro e entrou rápido no lugar. Nem sinal do Takarai por ali. Mas viu o mesmo atendente magro e pálido dos outros dias, e sabia que ele conhecia o loiro.
- Boa noite... - disse, aproximando-se do balcão, e foi cumprimentado com um breve sorriso do jovem - Eu queria saber se você pode me dizer onde o Hyde está... - viu o jovem franzir a testa e assumir uma expressão totalmente desconfiada - Sei que você o conhece... - tentou parecer menos nervoso do que estava na verdade - Eu preciso muito falar com ele, muito mesmo.
Por um momento o atendente pareceu examiná-lo, avaliando se realmente deveria dizer alguma coisa. - Por que você não liga pra ele? Se conhece o Haido-san, e precisa falar com ele, deve ter o número dele.
De repente Tetsu se sentiu o ser mais estúpido da face da Terra. - Muito obrigado. - disse, sorrindo nervoso, e saiu com pressa. Voltou a se trancar dentro do carro, e tirou o celular do bolso. Estava tão fora de si que havia esquecido esse detalhe. Encontrou o número do loiro, e depois de um minuto inteiro olhando para ele, resolveu ligar. Agora restava saber se ele o atenderia, depois do que havia acontecido.
Deixou chamar mais de dez vezes, e nada. Suas mãos já tremiam de irritação, e quando ele estava prestes a desligar, ouviu um som característico, e uma voz muito conhecida logo depois.
- Moshi moshi... - ouviu Hyde dizer, soando relutante - Tetsu...?
- Sou eu... - disse, e ouviu o outro ofegar - Por favor, não desliga na minha cara.
- Não vou... Pensei que nunca mais fosse falar comigo. E teria motivos pra isso...
- É bem isso que eu quero, falar com você. - Tetsu se sentiu totalmente exultante ao perceber que o loiro tinha uma ponta de alívio na voz por estarem conversando de novo - Onde você está?
Foram longos minutos até que Tetsu entendesse a explicação que o loiro dava, e soubesse onde procurá-lo. Quando desligou o celular, notou que suas mãos ainda tremiam. Demoraria uns vinte minutos para chegar ao lugar indicado, mas iria.
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Hyde desligou o celular e ficou plantado no chão, sem se mover um milímetro. Só podia ser uma alucinação, Tetsu não tinha ligado, era tudo invenção daquela sua mente insana. Só voltou a andar quando percebeu que estava parado no meio da calçada, atrapalhando a passagem das pessoas. Andou rapidamente pelo mar daquela multidão e foi entrando em ruas mais calmas, tentando chegar logo ao lugar onde tinha mandado o Ogawa ir procurá-lo. Tinha dito a ele que parasse logo em frente ao complexo de prédios onde haviam lutado contra o Sabá, onde sabia que ele já havia estado, e onde precisava procurar o Yasunori.
Se fosse correndo, talvez chegasse antes dele. E assim fez, tomando seus conhecidos caminhos por becos e ruas intrincadas, parando ocasionalmente, sem grandes motivos. Numa dessas paradas resolveu dar uma olhada no próprio corpo e ver se estava vestido decentemente. Camiseta azul escura, o resto preto. Usava um moletom que ficava gigantesco nele, no capuz cabiam duas de sua cabeça. Como não encontrou nenhuma mancha ou rasgo em nenhuma das peças que usava, resolveu continuar seu caminho, e algum tempo depois já pôde ver o grande círculo rodeado de concreto.
Olhou por todo o lugar, e nada ainda de Tetsu. Resolveu esperar fora do círculo, na entrada de um dos becos que levava a ele, fechado pelo muro alto onde ele, Yukihiro e Sakura estiveram naquela vez. Poucas pessoas passavam por ali, poucas mesmo, e ele não prestava atenção em nenhuma, a não ser que visse alguém de cabelos vermelhos.
- Seu verme pequeno e nojento... - Hyde ouviu uma voz, muito próxima, e não pôde fazer nada quando foi empurrado para a escuridão. Manteve o equilíbrio do corpo e precisou olhar duas, não, três vezes para acreditar que quem estava vendo na sua frente, era mesmo quem estava vendo na sua frente.
- Gackt? - perguntou, ainda duvidoso, por mais que reconhecesse aquele terno cinzento e aquela expressão artificial - O que deu em você?
- Eu cansei, só isso. - o Ventrue sorriu de canto e tirou uma longa faca militar do bolso das calças - Me sinto tão feliz... agora eu não preciso mais aturar você sem fazer nada...
- Que merda é essa? - o loiro levou uma das mãos rapidamente à pistola que tinha no bolso do moletom - O Seiji mandou você vir aqui me encher porque eu não quis ser o brinquedinho dele? - ele sabia que não era isso, mas precisava irritar o Ventrue, não resistia.
- Eu quero que o Seiji escorregue e caia na lareira do escritório dele. Acha que eu me importo com as ordens daquele imbecil? - Gackt sorriu ainda mais abertamente, aproximando-se aos poucos enquanto Hyde recuava para perto do muro.
- Então a missão da sua vidinha estúpida não é servir ao Príncipe? - o loiro continuou provocando.
- Você é mesmo burro. - de repente Gackt estava em cima dele, pressionando seu corpo contra o muro, enterrando a faca em seu estômago. Hyde só conseguiu cerrar os dentes e encarar o mais alto com todo o nojo que pôde expressar. Depois de anos de brigas idiotas, era a primeira vez que Gackt realmente o atacava. - Fingindo ser o cachorrinho estúpido do Seiji eu consegui ter todas as informações de que eu precisava. Inclusive sobre você.
- O que...
- Virei a vergonha da Camarilla, e o orgulho do Sabá. - o Ventrue sorriu ao ver a expressão de choque no rosto do menor - Eu soube que o Seiji mandou você me vigiar, e então eu percebi que ele já tinha descoberto tudo. Então não adianta mais ficar naquele prédio. Eu mesmo vou levar você até o Kojiro-san.
- Seu filho da mãe... - Hyde sentiu que o outro começava a girar levemente a lâmina da faca, e a dor começou a chegar num ponto insuportável. Fechou os olhos. - Então no Templo Tremere... você só ajudou os inimigos...
- Eu não acertei um único tiro naquela noite, e a tal de Megumi realmente acreditou que a minha mira era muito ruim.
- Por que estão atrás de mim?
- Se eu contar, perde a graça.
Hyde então empurrou o Ventrue com força, e conseguiu que ele se afastasse um tanto, retirando a faca de seu corpo. Não levou dois segundos para sacar a pistola e destravá-la, e atirou cinco vezes. Todos os tiros atingiram o mais alto, mas ele simplesmente riu alto e balançou a cabeça. Foi então que, com um pouco de pânico, o Lasombra percebeu que não estavam sozinhos ali. Estava sendo emboscado, e dessa vez estava só, contra dois vampiros do Sabá. Um homem moreno surgia das sombras ao seu lado, aparentemente escondido atrás de um monte de sacolas de lixo, e o loiro arregalou os olhos ao ver aquele rosto, e aquele lenço vermelho que ele usava na cabeça. Era ele quem havia atacado Tetsu.
O Lasombra não deu tempo para os dois agirem, e fez surgirem quatro braços negros das sombras, agarrando os dois vampiros e prendendo-os contra a parede do beco. Logo saltou para o alto do muro de concreto e jogou-se para o outro lado, caindo dentro do círculo, observando todos os prédios velhos em volta. Sabia que em poucos segundos os inimigos se soltariam, então precisava pensar rápido.
Mas de repente ele viu algumas chamas brotarem do chão, como se alguém as houvesse jogado ali à sua frente, e antes que pudesse pensar a respeito, um círculo gigantesco de fogo começava a se formar ao seu redor. Aquilo o fez lembrar de Yukihiro, ao mesmo tempo que começava a distorcer seus pensamentos racionais, transfigurando-os em medo pouco a pouco. Girou o corpo e tentou correr de volta para o muro antes que aquele círculo se fechasse, mas o Ravnos estava logo atrás dele.
- Eu soube que você tem um problema com fogo, muito maior do que todos os outros vampiros têm. - Yago o socou com força no rosto, derrubando-o no chão sujo, perto das chamas. - Eu posso fazer melhor do que o seu amigo ladrão do sangue.
Hyde fechou os olhos com força. Não importava o que aquele cigano fizesse com ele, não podia olhar para aquelas chamas e se render ao medo. Se fizesse isso, acabaria se arrependendo amargamente depois. Sentiu chutes fortes o atingindo, e ouviu a voz do Ventrue se aproximando, sons de armas sendo preparadas... Mas não sentiu calor. Estava tão perto do fogo, e não sentia calor algum...
- Eu sempre tive certeza de que você era só um covarde, fraco e sem talento nenhum. - Gackt disse, triunfante, apontando sua arma para as costas do loiro - Agora só lhe resta ficar aí esperando... idiota... - O Lasombra foi se levantando aos poucos, ainda de olhos fechados. - Preso como um inseto...
- Gackt... - Yago murmurou, vendo Hyde se mover lentamente em direção a eles - Eu acho que ele já sabe...
- Que essa porcaria é uma ilusão, sei sim. - o loiro sacou a pistola e atirou contra o cigano duas vezes, ainda de olhos fechados, mas de modo certeiro. Assim que Yago caiu, segurando com as mãos os ferimentos recebidos no peito, sua concentração foi quebrada e o círculo de fogo desapareceu completamente. O Takarai abriu os olhos e sorriu, mas ainda estava longe de vencer aqueles dois. - Eu não tenho medo de usar a mortalha mais uma vez, se vocês não pararem de me incomodar.
- Pode fazer, mas eu acho que o Seiji não vai ser mais tão simpático com você, depois de ontem. - Gackt sorria de um jeito enviesado e medonho enquanto falava.
- Você gosta mesmo de ouvir atrás das portas... - o loiro reuniu suas forças mais uma vez, e puxou aqueles tentáculos de todas as sombras que rodeavam o lugar, fazendo com que atacassem Gackt e Yago diretamente, tentando prendê-los ou feri-los. O Ventrue foi pego por cinco deles e suspenso no ar, a arma caiu de sua mão, e não podia se mover, enquanto o cigano se esquivava como podia. Hyde estava alerta para o fato de que sua energia terminaria logo se não acabasse rápido com aquilo. Tinha feito braços demais, mas pelo menos tinha alguma esperança de que aquilo funcionasse.
As sombras se expandiam pelo chão, dando uma área maior para os braços negros agirem, e o Ravnos já começava a ficar irritado. Suas ilusões não poderiam fazer nada contra as sombras, e agora ele estava a uma distância grande do Lasombra para que pudesse fazer qualquer coisa. Assim ele se rendeu às coisas que não gostava de fazer, e retirou um revolver velho que tinha amarrado a uma de suas pernas, sobre as calças sujas e rasgadas que usava. Colocou a munição rapidamente enquanto fugia das investidas de dez longos tentáculos negros, e correu na direção do loiro.
Quando chegou perto o suficiente, descarregou a arma no Lasombra. Seu pé foi preso por um dos tentáculos, e ele foi erguido como o Ventrue, mas soltou uma risada alta quando viu o estado do loiro lá embaixo. Não demorou muito para os tentáculos perderem as forças, e um a um eles foram se desintegrando, derrubando os dois vampiros de uma altura considerável.
Hyde agora tinha, além do corte profundo em seu estômago, um buraco a mais na cabeça, e vários outros no peito. Perdeu a concentração assim que a bala penetrou seu crânio, e as sombras agora jaziam inocentemente em seus devidos lugares. Sentia o sangue escorrer em abundância de todas as feridas, e junto com ele todas as suas forças. Agora não tinha escolha, os dois se aproximavam dele rápido demais. Precisava concentrar os últimos pingos de energia que possuía e produzir outra mortalha, ou seria levado por eles.
Queria tanto ter levado sua espada junto... assim poderia cortar as cabeças dos dois e matá-los de uma vez, ou pelo menos o Ravnos maldito.
Tiros. Hyde ouviu vários tiros, mas nenhum o atingiu. Olhou para os inimigos e percebeu que Gackt estava agora escondido atrás de algumas caixas que se amontoavam ali perto, encostadas a uma das paredes, e o Ravnos sangrava. Yago estava parado muito perto, de costas para ele, pingando sangue e rosnando como um cão furioso.
- Eu vou rasgar esse humano em duas partes, depois vou vender para os Nosferatu! - ele bradou, andando a passos duros na direção de um dos becos que levavam até ali.
Hyde piscou várias vezes até se convencer de que era mesmo Tetsu que ele estava vendo naquele beco, empunhando um fuzil pesado, recomeçando a atirar no cigano. Então ele era mesmo um caçador. Parecia um, pelo menos. Isso o ajudava a ganhar algum tempo para se recuperar, mas ver Yago andando até lá com tanta raiva não o tranqüilizava. Levantou-se o mais rápido que pôde, e puxou toda a sombra do prédio atrás de si e se envolveu nela, e correu até o Ravnos enquanto fazia um braço de sombras realmente forte.
- HYDE! - o ruivo berrou, parando de atirar e apontando freneticamente com a outra mão. O baixinho entendeu o recado e se abaixou bem em tempo de evitar a faca longa que Gackt havia arremessado contra ele. A lâmina foi parar nas costas do cigano, que parou de andar na mesma hora e cerrou os punhos com força.
Hyde quase riu, mas dividiu aquele tentáculo que levava consigo em dois e os estendeu, e com cada um segurou um dos dois vampiros. Empurrou Gackt para o chão, prendendo-o pelo pescoço com força, e pegou Yago por um dos pés, fazendo-o cair também. Estava usando todas as suas forças para mantê-los presos, mas via o cigano voltar a carregar o revólver, e quase se desesperou. Levar um tiro para ele não era nada, mas podia matar o Ogawa.
-Tetsu, atira na mão dele! - gritou, e o ruivo saiu das sombras do beco, chegando cada vez mais perto. Ele começou a atirar como havia sido mandado, e Yago berrou de dor quando sua mão se rasgou e sua arma ficou fora de alcance. Hyde o puxou para ainda mais longe do revólver usando o braço negro. Não acreditava muito bem que Tetsu estava ali, ajudando-o naquela situação, mas não era hora de pensar no assunto. - Por favor, procura alguma coisa pra empalar esses dois...
- O quê? - ele pareceu confuso. Estava confuso. - Você quer fazer o quê?
- Anda, você e o Ken devem ter empalado vários vampiros na vida, eu só quero que esses dois não se movam mais! Eu não vou conseguir continuar segurando eles...
O Ogawa afirmou e correu para a porta mais próxima, do prédio mais velho de todos, e precisou se acostumar com a escuridão do lugar antes de qualquer coisa. Estava assustado, de verdade. Nunca pensou ver Hyde daquele jeito, usando sombras... ele era mesmo um deles. Mas já estava decidido desde que tinha saído de casa, e não era um medo à toa das habilidades dele que o faria mudar de idéia. Procurou por toda a grande recepção velha e caída aos pedaços, até que encontrou um longo pedaço de cano, forte, pontiagudo. Era perfeito. Só precisava de outra coisa para o outro vampiro agora.
Andou chutando pedaços de madeira podre, tentando enxergar direito, e nos fundos do lugar, atrás de um grande balcão rachado, viu o que parecia ser um longo espeto de carne. Imaginou o que aquilo estaria fazendo ali, mas saiu logo com as duas armas que havia encontrado, e logo percebeu que Hyde parecia ficar mais fraco a cada instante. Correu até lá, e sem dizer nada enfiou o cano pelas costas de Yago, torcendo para que acertasse o coração, e ele parou de tentar chutar o tentáculo que o prendia. Sentiu-se mais aliviado e saltou por cima dele, indo rapidamente até o vampiro de terno cinzento. Como ele tinha as mãos livres, seria mais difícil, mas não teve nem tempo de pensar num plano quando viu outro tentáculo medonho daqueles prender o braço mais próximo do vampiro, e depois outro, prendendo o outro braço.
Olhou para o loiro por um segundo e ele já estava ajoelhado no chão, sustentando agora quatro daqueles braços. Não perdeu mais tempo e enterrou aquele espeto quebrado no coração do homem, e viu ele perder todos os movimentos exatamente como o outro. Ele o encarava com absoluta raiva, e Tetsu se afastou dele tão rápido como chegou até ali. Então os tentáculos começaram a se desfazer rapidamente, e quando ele percebeu só havia um Hyde normal com as roupas cheias de sangue, totalmente cansado.
- Tudo bem...? - arriscou perguntar, e o loiro fez um sinal positivo, levantando-se do chão.
- É melhor sairmos daqui bem rápido. - ele disse, e andou meio torto até o Ogawa. Precisou de um momento para acostumar o corpo com a perda rápida de sangue, e a bala que estava alojada em sua cabeça saltou de repente, assustando Tetsu. Ele ia dizer alguma coisa, mas as balas de seu peito também saltaram para fora de seu corpo, e ele ficou em completo silêncio enquanto seus ferimentos se curavam devagar. - Você veio de carro, não veio? - Tetsu concordou - Então é melhor ir embora de carro.
- E você vem comigo, ainda temos que conversar.
Tetsu o puxou pelo braço em direção ao beco de onde tinha vindo, e Hyde apenas permaneceu em silêncio. Talvez o ruivo quisesse se livrar dele... mas queria acreditar que não era isso. O observou enquanto andavam rápido, e não pôde deixar de notar o nervosismo dele. Deixou-se levar pelo beco até a calçada, e depois atravessando a rua até o outro lado, enxergando um carro preto e antigo estacionado junto a vários outros carros comuns em frente a uma loja qualquer. Nunca tinha visto o carro do Ogawa, mas parecia ser aquele preto, por alguma razão. Achou que parecia o tipo de carro que Ken teria.
Logo o ruivo destrancou as duas portas e entrou no veículo, apenas esperando que ele o seguisse. Hyde hesitou, mas acabou entrando. O banco era negro e fofo, e o painel não era nada antigo como o lado de fora. Tinha coisas lá que ele não fazia a menor idéia de para que serviam. Fecharam as portas e os sons da rua ficaram mais baixos.
- Melhor ir embora de uma vez... - ruivo murmurou sozinho, e ligou o carro. Logo estavam andando pelas ruas da cidade, distanciando-se aos poucos do complexo de prédios, e entre os pensamentos de Hyde havia um alerta de que ele não havia tido nem a mínima chance de procurar Sakura por lá. Passaram longos minutos em silêncio, sem saber o que dizer, ou como dizer. Cada um tinha receio que o outro estivesse bravo, ou magoado.
- Tetsu... - o loiro o chamou depois de algum tempo, sem agüentar mais aquilo - Você não está com vontade de arrancar o meu pescoço fora? Pode dizer, eu vou entender perfeitamente...
- Essa vontade eu tive ontem, agora passou. - o ruivo respondeu sinceramente, entrando numa rua que Hyde sabia levar até o Guillotine - Eu só preciso saber o que você quer. Ficou comigo até agora por quê?
- Porque eu gosto mesmo de você, eu não ia fazer nada de mal... - o Takarai ficou observando os olhos do ruivo refletidos no espelho - Se fosse o caso, eu podia ter me alimentado de você na noite em que te conheci.
- Bom saber... - o bar já era visível mais à frente, e o ruivo foi procurando um local para estacionar. Conseguiu uma vaga perto do estabelecimento novamente, e desligou o motor. - Eu não sei por que eu vim até aqui, mas nós precisamos de um lugar pra conversar.
- Na verdade... eu moro no Guillotine... ou morava.
- Sério?
- É... na verdade eu deveria estar levando as minhas coisas de volta pra lá... Eu passei um tempo na casa de um amigo, e agora eu preciso voltar.
- Precisa de ajuda? Uma carona talvez?
Hyde encarou o ruivo, surpreso. - Você fala sério mesmo?
- Sim. Eu te ajudo com isso, e depois nós conversamos em paz. - por incrível que pudesse parecer, o Ogawa sorriu enquanto falava - Tem algumas coisas que eu queria perguntar.
- Tudo bem...
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Yukihiro fechou o último livro da pilha gigantesca que tinha aberto à sua frente na mesa de madeira escura, e soltou uma exclamação de aborrecimento. Estava trancado em seu escritório desde que Hyde havia saído de casa, e se trancava ali sempre que ficava sozinho, mas até agora não tinha uma explicação, por mais que lesse cada sílaba de cada livro com a mais absoluta atenção. Talvez todas as estantes de livros que o rodeavam fossem inúteis naquilo.
Nenhum livro que lera nem ninguém para quem perguntara tinha uma explicação para o fato de Hyde ter conseguido ver seu reflexo num espelho. Ele era um Lasombra, isso simplesmente não poderia ter acontecido... não sem uma explicação lógica MUITO boa. Mas não a encontrava em lugar algum, e já estava cansado de ler por aquela noite. Talvez devesse sair logo e começar a vasculhar os esgotos atrás do Yasunori, faria um bem aos seus pensamentos já carregados.
Nem se deu ao trabalho de colocar os livros nos devidos lugares, levantou-se e saiu dali de uma vez. Foi até seu quarto e vestiu uma capa longa e negra por cima das roupas que já usava, e calçou suas botas já gastas. Achava que Hyde demoraria para voltar, e como ele tinha a chave do apartamento não precisava se preocupar muito. Fez seu caminho pela casa lentamente, procurando suas próprias chaves, quando ouviu vozes vindas do corredor lá fora.
Foi até a sala e andou até a cozinha para ouvir melhor, e achou estranho ouvir a voz do Takarai. Ele conversava com alguém, e logo pôde ouvir o som da porta sendo destrancada. Ergueu as sobrancelhas o máximo que pôde. Ele deveria estar procurando Sakura, bem longe dali.
- Yuki? - ele chamou e abriu um pouco da porta, olhando para dentro. - Que bom que você ainda está aí, eu... vim levar as minhas coisas de volta para o bar...
- Então entre logo...
- É que eu trouxe alguém comigo...
- Não tem problema. - mal o Awaji terminou a frase, Hyde abriu completamente a porta, revelando o jovem vestido de preto ao seu lado, os cabelos tingidos de vermelho. Não precisava de apresentações para saber quem era. Hyde era inacreditável, há umas duas horas atrás ele reclamava por ter brigado com aquele jovem, e agora aparecia de repente com ele. Não acreditava que ele tinha mesmo levado um humano até ali. Mas o detalhe que realmente chamava atenção ali era a quantidade de sangue nas roupas do loiro. Talvez ele tivesse tentado procurar Sakura afinal, só não imaginava por que um humano como aquele estaria perto dele naquela situação, ou o que exatamente teria acontecido, mas resolveu não perguntar nada. Queria deixar a cabeça no lugar para entrar nos esgotos.
- Yukkie, esse é o Tetsu... - o loiro o apresentou, entrando calmamente, sendo seguido pelo outro - E Tetsu esse é o Yukihiro, meu melhor amigo.
O ruivo fez uma reverência, parecendo um pouco desconfortável ali, e então Hyde fechou e trancou a porta. - Yukkie eu vou arrumar as minhas coisas então... Você vai sair?
- Vou... tranque bem a porta quando for embora... e pode ficar com a chave, eu não me importo.
O Awaji se despediu com um aceno de cabeça e passou pelos dois, batendo de leve no ombro do loiro quando chegou perto, e depois saiu em silêncio. Enquanto trancava a porta pelo lado de fora, só desejava que Hyde tivesse um pouco de vergonha na cara e não fizesse nada com o ruivo no seu apartamento. Depois de concluído esse pensamento, ele apenas riu e balançou a cabeça com descrença enquanto andava pelo corredor. Hyde era mesmo inacreditável.
- Tudo bem, vem comigo e vamos arrumar isso logo. - o baixinho puxou Tetsu pela manga do casaco, levando-o pela cozinha até a sala, depois pelo corredor até o quarto que ocupara ali. Quando entraram, a primeira coisa na qual os olhos do ruivo se fixaram foi o caixão preto e gasto, aberto no meio do quarto.
Depois de um longo momento em que o Ogawa observou aquilo sem dizer nada, Hyde foi até sua mala e começou a guardar dentro dela algumas coisas que tinha espalhado pelo lugar. Algumas meias, sua jaqueta nova, uma camiseta velha, seu pijama que ainda jazia por cima da tampa do caixão... milhares de coisas que ele não havia nem notado que tinha espalhado por ali. Tetsu apenas observava tudo o que ele fazia em silêncio, pensando no que exatamente dizer a ele depois. Já estava achando loucura estar ali com ele sabendo o que ele era, imaginou como seria dizer que queria saber mais sobre ele. Que queria saber como ele havia se tornado um vampiro, e por que ele não parecia ser como os outros.
- Tetsu...? - o Ogawa despertou de seus devaneios e viu Hyde já pronto, segurando a grande mala negra numa das mãos, usando uma mochila nas costas, e levando na outra mão um objeto comprido enrolado num pano azul. - Nós já podemos ir...
Concordando, o ruivo o seguiu pelo corredor de volta à sala, e depois os dois seguiram para a cozinha, indo até a porta. Tetsu a abriu com a chave que Hyde havia deixado na fechadura por descuido, e os dois logo se viram fora do apartamento, depois no elevador espaçoso, onde mesmo sabendo da força que o loiro tinha sendo um vampiro, ele se ofereceu para levar a mala pesada. E assim saíram para a recepção do prédio, e depois desceram os degraus para a calçada, sempre num calmo silêncio. Andaram até a primeira esquina, onde o Ogawa tinha conseguido estacionar o carro, e depois de um minuto colocando todas as coisas do menor no banco de trás, os dois voltaram a observar as luzes da cidade em mais um passeio de carro.
Quando entraram no Guillotine, Kazuo assumiu uma expressão tão aliviada que qualquer um poderia pensar que Hyde era o salvador da vida dele. Foram longos minutos até o jovem e magro atendente compreender que o loiro só queria descer até seu quarto e arrumar suas coisas de volta nos lugares, e então os dois passaram discretamente por trás do balcão, para os fundos do bar. Percorreram o conhecido caminho de Hyde pelo alçapão, depois as escadas, até a porta grossa lá embaixo, e quando a abriram, apenas um único vampiro estava na grande sala pouco mobiliada.
Ele também pareceu satisfeito em ver o Takarai por ali, mas apenas os cumprimentou e deixou que passassem. Tetsu ia observando tudo com interesse, toda a segurança do lugar para que não fossem descobertos, todos os cômodos que percorriam... até chegarem ao dormitório gigantesco apinhado de caixões. Ele não quis nem tentar contar para saber quantos dormiam ali, em vez disso engoliu em seco e continuou seguindo o baixinho, levando a mala negra com as roupas dele, que por sinal pesava muito, indo em direção a uma última porta à frente.
- Bom, esse é o meu quarto... - o pequeno murmurou, abrindo a porta com alguma dificuldade. - Pode soltar isso em qualquer lugar e se sentir em casa. - ele então entrou e acendeu as luzes.
O quarto era bonito na opinião do ruivo, só tinha um ar de abandono muito grande. A grande cama ao centro estava muito bem arrumada, os dois caixões negros ao redor dela muito lustrosos, tudo impecavelmente limpo, mas mesmo assim parecia abandonado. Talvez fosse pelo fato de que estivera abandonado. Tetsu soltou a mala perto de uma mesa encostada à parede, e ouviu Hyde fechar a porta. Ficou observando os dois caixões por um tempo, imaginando se um deles era do tal ex-namorado que o havia magoado tanto.
- Pelo jeito o Kazuo andou limpando esse quarto... quando eu morava aqui não era limpo assim. - o loiro brincou, deixando a mochila sobre a mesa de cabeceira ao lado da cama, e também o tal objeto escondido no pano. Ele então se virou e o encarou calmamente - Diz alguma coisa, Tetsu...
- Você tem um quarto sem janelas... - ele comentou, tentando descontrair um pouco o ambiente, e o loiro riu. Pelo menos tinha funcionado.
- Nós estamos no subsolo, e mesmo que não estivéssemos, não seria legal eu ter janelas no meu quarto. Eu tenho um pequeno problema com o sol, você sabe...
- É... e por uma estranha razão eu confio em você, então eu acho que não preciso ficar carregando isso. - o ruivo começou a tirar suas armas de dentro do casaco, e deixou-as sobre a mesa ao lado da grande mala.
- Você não sabe como é bom ouvir isso. - o baixinho apontou a grande cama ao centro do quarto - Você pode se sentar, eu tenho que... - e apontou para o moletom e a camiseta sujos de sangue.
Depois que Tetsu se sentou, Hyde foi até o malão e o abriu rapidamente, pegando a primeira camiseta preta e velha da pilha de roupas. Tirou o moletom e a camiseta suja com grande rapidez e voltou a se vestir. Teve um ataque de vergonha por um momento e ficou apenas mexendo em suas roupas dentro do malão, fingindo procurar alguma coisa.
- Você acha que eles vão... morrer?
Hyde precisou de muito esforço para entender do que ele falava. - Aqueles dois que você espetou? Duvido muito. Alguém vai tirá-los de lá, eu tenho certeza. - ele se virou e voltou a mirar o Ogawa - O que nos leva ao primeiro assunto. Você não pode mais sair de casa à noite, não pode nem ficar sozinho à noite. O Yago já te conhecia, e agora ele vai te caçar até o fim do mundo.
- Então você sabe por que eu fui parar no hospital...
- Sei sim. Eu adorei ver você mesmo se vingando dele com aquele cano...
- É, foi um alívio até. - Tetsu brincou, coçando a cabeça - Eu não acredito que eu estou no seu quarto falando com você assim, sendo que você é um vampiro também. - ele viu Hyde desviar o olhar e encarar a parede oposta - Mas eu acho que isso não é tão ruim, afinal... Você é uma boa pessoa, Hai-chan.
- Ohh, eu virei o Hai-chan agora? - o loiro exclamou, num tom alegre - Isso significa que eu posso voltar a te chamar de Te-chan?
- Pode.
- E que eu ainda tenho um namorado...? - ele arriscou. Não queria perguntar aquilo, era loucura, mas arriscou.
- Parece que... tem ainda... - ele voltou a coçar a cabeça, corando, e Hyde teve que controlar um forte impulso de pular nele e apertá-lo.
- Então você pode perguntar logo, as coisas que você disse que precisava perguntar. - o Lasombra se levantou e foi se sentar ao lado dele - O que você quer saber?
- Eu não sei como se faz essa pergunta...
- Então eu posso perguntar algo primeiro?
- Pode Hyde...
- É que eu queria saber por que você e o Ken... se tornaram caçadores. É uma tarefa muito difícil, vocês dois poderiam ter morrido faz tempo...
- Eu nem sei exatamente por que eu me tornei. Mas o impulso foi duplo. O Ken, e a possibilidade de me vingar do vampiro que matou os meus pais. O problema é que eu não faço idéia de quem ele é... E o Ken-chan teve a mesma motivação, a família dele inteira foi morta por dois vampiros.
Hyde ficou totalmente mudo. E depois os outros ainda lhe perguntavam por que ele achava tão ruim ser um amaldiçoado... - O vampiro não viu você, Te-chan?
- Acho que não, a casa era grande e eu estava escondido num armário... Ou ele simplesmente não quis me matar, não sei.
- Estranho... - o menor deixou sua mão repousar sobre a mão trêmula do Ogawa - Está nervoso? - perguntou, e ele fez um gesto indicando que não - Eu imagino como deve ter sido... Mesmo num contexto totalmente diferente, eu posso dizer que passei pela mesma coisa. Eu perdi os meus pais na noite em que me tornei um vampiro.
- Era isso que eu queria perguntar... Como aconteceu.
- Eu posso dizer que foi a pior experiência da minha vida. Eu lembro que tinha sido um dia seco, então estava muito quente à noite... e eu e o Sakura, o meu ex-namorado, estávamos no meu quarto, rindo de alguma coisa... quando começou a ficar cada vez mais quente, até um ponto em que nós sentimos cheiro de fumaça. Então nós saímos do quarto, e o resto todo da casa estava pegando fogo. Era uma casa simples, então tudo já estava caindo aos pedaços, só não tinha atingido o meu quarto e a sala de jantar.
Tetsu caiu num silêncio completo.
- Eu lembro que nós saímos e fomos para o corredor. - o Lasombra continuou, fazendo algum esforço para relembrar os detalhes - E no final daquele corredor, lá no fundo, na cozinha, o meu pai já estava morto no chão, todo queimado, e a minha mãe... estava queimando também, mas ela tentava acordar o meu pai de qualquer maneira, ela gritava... E quando nós corremos até lá, o teto inteiro desabou em cima de nós. - ele fez uma pausa, tentando bloquear alguns sentimentos que o invadiam - Quando eu acordei, o Sakura ainda estava inconsciente do meu lado, segurando a minha mão, embaixo de todo aquele lixo que antes era a minha casa. Eu não faço idéia de quantos ossos eu quebrei, só sei que eu morria de dor... e o Sakura às vezes acordava, mas desmaiava de novo... Já estava tudo queimado, e só nós dois vivos no lugar. Depois de alguns minutos apareceram uma mulher e um homem, os dois de capas negras, os dois sorrindo... Disseram que aquele tinha sido o nosso teste, e que nós teríamos que aprender a ser membros da família Lasombra.
- E eles transformaram vocês...? - Tetsu não queria ter dito nada, mas não pôde conter sua língua.
- Primeiro eles ficaram apontando como eu era inútil e nojento, e como o Sakura era burro... Eu não estava entendendo droga nenhuma, até que a mulher disse que tinha sido divertido atear fogo na casa e depois sair correndo. Eu explodi de raiva, mas não podia fazer nada daquele jeito. Eles enrolaram por mais um tempo, falando mil coisas inúteis, dizendo como a minha família não tinha honra por ter um filho como eu, e novamente apontando a burrice do Sakurazawa por se envolver comigo, e depois eles nos transformaram. O homem se tornou senhor do Sakura, e a mulher a minha senhora. Não foi nada agradável. E como seqüela eu morro de medo de fogo mais do que qualquer outro vampiro, mas eu acho que isso não importa...
- Importa sim, eu vou me lembrar de nunca deixar o Ken-chan acender um cigarro perto de você.
Hyde conseguiu rir muito baixo, e Tetsu o abraçou com força.
- Te-chan, eu não sei o que você vai pensar sobre o assunto agora, mas... eu acho que você devia dormir aqui.
- Por quê?
- Eu já disse porque... Eu não quero arriscar que eles te encontrem por aí, e mesmo se eu te acompanhasse, nós não teríamos a mesma sorte que tivemos antes. Eu já me senti um lixo completo pensando que tinha te perdido com aquela discussão de ontem, não quero nem pensar em como seria se te acontecesse alguma coisa.
- Hyde...
- Sim, eu me apeguei a você rápido demais, eu sei disso.
- Não, espera... - o ruivo quebrou o abraço e começou a procurar alguma coisa pelos bolsos internos do casaco, até que encontrou o celular. - Eu esqueço que não posso deixar isso no silencioso... É o Ken-chan...
- Pode atender, eu não me importo. - Hyde se jogou de costas na cama enquanto o outro atendia a ligação. E logo pôde ouvir os gritos histéricos de "onde você se meteu sua anta dos infernos" na voz esganiçada e nasal do Kitamura.
Algo lhe dizia que aquela noite ainda seria longa.
~continua~

huaauhauha tinha q ser o Ken pra atrapalhar tudo¬¬
mais eu amei ... eles estão juntos novamente ae ae \o\ \o/ /o/
Nee-chan como sempre arraza nas fics e esse cap. tá mt bom *-*
e tu vai demora pro outro.. né sua vaca u.u

OMG! juntos *-* *rebola*
huaauhauha tinha q ser o Ken pra atrapalhar tudo¬¬ [02]
\o\ ta muito bom /o/
u.u esquartejar não mas uns xutes XDDDD

e tu vai demora pro outro.. né sua vaca u.u [2] ç_ç se bem que eu sou suspeita pra te xingar. há.
finalmente eu li *O*~~~
muuuuuuuuuuuuuito bom ç____ç hyde e te-chan ♥

q lindo o te-chan ajudando o hydezim *-*
tah mto lindo esse capitulo *-*

Woah amei o cap. tia tasha!
Hy-chan e tsu-chan juntos de novo *-* que bom!
huaauhauha tinha q ser o Ken pra atrapalhar tudo¬¬ [3]

xD
gente, não chutem o Ken-chan, por favor =P
muuuito obrigado pelos comentários *-*
vou tentar postar o próximo logo, só preciso me organizar com algumas coisas \o/

Você escreve muito bem!!!
Suas histórias são contagiantes ^__^ Dá para realmente imaginar os fatos acontecendo. Adoro as cenas entre o Gackt x hyde e tetsu x ken, são tão divertidas!! e as do hyde com o tetsu estão tãoo fofas! hyde como um vampiro em conflito está tão legal!
Bem, a combinação hyde vampiro + Haitsu + Sakuhai + ken hilário + yuki + história envolvente = ficou perfeito *__*
Continue escrevendo fics, você leva muito jeito para isso ^_^
*Espera ansiosa por novos capítulos*
(Só para não reviver um tópico antigo: Amei a fic Kaze no yukue.. chorei lendo ;__; e tb dei boas risadas XD)
Ganhou mais uma fã _o/
Foi depois de ler suas fics que me viciei em fics envolvendo L'Arc~en~Ciel ^ ^.

Bem, a combinação hyde vampiro + Haitsu + Sakuhai + ken hilário + yuki + história envolvente = ficou perfeito *__* [2]
Continuaaaa!!!!!!!!!!!! *_______________________________*

muito peferito adorei !!!!!
quro mais

huaauhauha tinha q ser o Ken pra atrapalhar tudo¬¬ [4]
Mais q tudoooooo .. hy-chan e te-chan juntos de novo \o/ * go go haitsu*
muito bom esse capitulo ... super fofo ...
nyaaaaaaa ... o proximo jah eh o ultimo q vc postou ... T.T