
não me matem, demorou mas saiu u.u
no coments... boa leitura xD
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capítulo 8 - Warning
O Takarai despertou de seu estado de transe quando ouviu barulhos altos vindos do corredor ao lado. Sentou-se de uma maneira mais confortável no grande sofá azul escuro em que estava, olhando para as próprias mãos, e se amaldiçoou diversas vezes. Como pôde ser tão idiota? Havia visto os olhos do moreno naquela hora, sabia que não podia confiar no que ele faria... mas acabou se entregando da mesma forma. Era ingênuo, por mais que não quisesse acreditar, exatamente como Dexter dissera. Era burro. Muito burro. Há décadas não sentia uma vontade tão forte de chorar. Olhou por toda aquela sala decorada inteira em tons de azul, na esperança de se distrair com qualquer coisa, e fitou um grande relógio de pêndulo na parede oposta. Faltava, talvez, pouco mais de meia hora para o amanhecer.
- Pronto, Haido. - ele se virou, e mirou o amigo Tremere se aproximando do sofá, usando a capa negra de sempre. - Achei o meu antigo caixão, não tem nenhuma rachadura nele. Já arrumei um quarto pra você.
- Muito obrigado, Yuki...
- Pare com isso. - o Awaji sorriu por um momento e sentou-se ao seu lado. - Agora você vai me dizer o que aconteceu.
Hyde virou o rosto e voltou a mirar o relógio. - Não foi nada grave...
- Se não fosse grave, você não teria aparecido na minha porta.
Os dois ficaram em silêncio depois disso. Yukihiro deu algum tempo para o outro se manifestar, mas como não aconteceu, teria que fazer as coisas do jeito difícil. Precisava saber o que o Yasunori havia feito dessa vez, e tinha certeza absoluta de que o problema era o moreno. Tinha que saber se ia ser como nas outras brigas feias dos dois, e precisaria ser o intermediário entre eles durante alguns dias, ou se seria pior. Pegou o Takarai pelo ombro, chamando sua atenção, e quando conseguiu olhar nos olhos dele, sentiu que ele ficava tenso.
- Não vai me forçar a tentar usar telepatia em você... vai?
- Eu posso facilitar as coisas pra você, Yuki.
- Nossa, você realmente não quer falar... - o feiticeiro passou as mãos pelos cabelos espetados, ainda sem quebrar o contato visual - Se você quiser que eu tenha acesso aos seus pensamentos, pode me poupar muito trabalho e cansaço.
- Pode tentar.
- O que foi que ele fez dessa vez... - murmurou, e se concentrou na mente do pequeno ao seu lado. Era extremamente difícil fazer isso com vampiros, mas se o Lasombra quisesse que sua mente fosse lida, as coisas ficavam um tanto mais fáceis. E então, depois de alguns momentos, começou a ouvir os pensamentos do outro, como se ele dissesse frases inteiras.
O menor poderia até tentar impedir, mas não tinha vontade. Não se importava que Yukihiro soubesse o que tinha acontecido, só não queria falar sobre o assunto. E seria praticamente impossível o feiticeiro não descobrir tudo, de tanto que pensava... Entre todos os xingamentos que tinha dentro da cabeça, estava cada lembrança do que havia acontecido meia hora atrás. E depois de algum tempo, percebeu que o outro o mirava com um olhar um pouco diferente.
- Foi divertido? - perguntou, desviando o rosto e olhando para o nada.
- O Sakura é um idiota. - disse o Awaji, incrédulo, e o menor voltou a mirá-lo. - Eu não acredito que você não o empalou, ou o esmagou com um tentáculo...
- Tudo o que eu queria era sair de lá. E mesmo que eu quisesse, eu estava fraco demais pra poder fazer qualquer coisa com ele. Eu ainda estou.
- E eu não tenho nada de sangue... - Hyde observou o amigo apoiar as costas no sofá. - Amanhã, assim que acordarmos, vamos sair e arrumar alguma coisa. Pode ficar aqui o tempo que precisar, o Sakurazawa não entra aqui enquanto você estiver.
- Eu vou tentar arrumar um lugar pra morar, não vou ficar muito aqui. Não quero atrapalhar os seus estudos e as suas pesquisas, ne Yuki.
- Mas nem barulhento você é, não precisa se preocupar com isso. - Yukihiro se levantou e tirou a capa do corpo, dobrando-a nas mãos. O pequeno pôde ver um buraco grande na camiseta negra que ele usava, na altura do peito, como se o tecido tivesse sido queimado. - E eu não estou afundado em nenhuma pesquisa nos últimos dias, estou na parte divertida da coisa... a fase de experimentos. Talvez você até possa me ajudar em algumas coisas.
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Oito e quinze da noite. Tetsu andava apressado pelas ruas já escuras da cidade, dirigindo-se ao bar onde encontrara o amigo louro pela última vez. Vestia-se completamente de vermelho, camiseta, jaqueta, calça, tênis... E com o cabelo ruivo, sentia-se um verdadeiro power ranger, mas não estava se importando muito. Soltou um suspiro de alívio e apenas continuou andando, feliz por ter algo a fazer longe de casa, que não envolvesse mortos-vivos.
Ken estava cada vez mais paranóico com as coisas, na opinião do ruivo. Desde aquela noite em que viram aquela nuvem negra, ele não parava de falar sobre isso, não parava de inventar teorias atrás de teorias, vivia olhando seus antigos registros sobre vampiros. Ele não calava mais a boca, na verdade. A todo o momento estava soltando asneiras a respeito de uma revolta dos vampiros na cidade, como se as criaturas fossem estúpidas o bastante para trocar um esconderijo perfeito, com muita "comida" disponível, apenas para tomar o controle politicamente. E Tetsu já não estava mais agüentando.
Andava tão distraído que acabou esbarrando em alguém, e quando se virou para pedir desculpas, mirou um casal curioso. Havia esbarrado num homem alto e jovem, de pele morena, cabeça raspada e feições claramente árabes, que andava ao lado de uma mulher pálida de cabelos longos e escuros. Os dois se vestiam de negro, o homem com um casaco longo sobre as roupas, e a mulher com um vestido que parecia ter saído de algum filme europeu de época. Não conseguia ver o rosto dela escondido pelos cabelos. E quando abriu a boca para pedir desculpas, o homem o encarou de um jeito que o fez ficar imóvel.
Todas as pessoas ao redor pareceram caminhar mais depressa enquanto olhava nos olhos daquele homem, sentindo-se sufocado de alguma forma. E após poucos segundos, tudo passou e o homem virou o rosto para continuar andando na outra direção. O Ogawa respirou fundo e ficou parado mais alguns momentos para se acalmar, mas assim que voltou a mirar o casal, aquela mulher o observava com o rosto vazio de expressões. Os dois andavam calmamente, agora atravessando a rua, e a mulher também deixou de olhá-lo.
Sentia-se realmente estranho, como se aquele homem tivesse o poder de deixá-lo mal apenas com o olhar, e o rosto daquela mulher também o havia deixado num estado de perturbação profunda. Nunca antes havia visto um rosto realmente sem expressão, sem qualquer mínimo resquício de qualquer pensamento ou emoção, e aquilo assustava. Logo depois que conseguiu se acalmar, sua mente passou a trabalhar como se alguém houvesse apertado algum botão invisível em sua cabeça. Um ser humano normal não poderia fazê-lo sentir-se assim dessa maneira, apenas com um olhar. E se aquele casal fosse... e se fossem vampiros?
Sacudiu a cabeça com rapidez, tentando afastar esses pensamentos, e os dois seres não estavam mais à vista. Voltou a seguir seu caminho. Não podiam ser vampiros, estava começando a ficar paranóico como o Kitamura. Resolveu empurrar essas coisas para o fundo de sua mente no momento. Andando nervosamente, mal percebeu que já estava na rua do dito bar. Quando chegou à frente do estabelecimento, olhou bem para a placa na entrada. Guillotine, era o nome do bar. Tetsu ergueu as sobrancelhas e ficou surpreso ao constatar que não tinha visto o nome na última vez que esteve lá. E aquele nome não estava contribuindo muito para amenizar o desconforto que sentia depois da aparição do estranho casal.
- Tetsu? - ele escutou uma voz o chamando, e se surpreendeu ao ver o loiro andar até ele olhando para os lados, como se tivesse receio de alguma coisa. Não viu de onde ele havia vindo, mas não parecia ser de dentro do bar. Ele usava uma capa negra que parecia um pouco grande para ele, umas calças pretas e surradas, e tinha uma camisa azul por baixo. Parou ao seu lado mostrando um certo nervosismo, e quando o ruivo pensou em dizer alguma coisa, ele se manifestou.
- Nós podemos... ir pra outro lugar? - ele perguntou, lançando olhares nervosos ao estabelecimento.
- Claro, Hyde... - disse, observando o outro se enrolar na própria capa. De repente flagrou-se realmente preocupado com ele. - Tudo bem com você?
- Tudo sim, só... vamos arrumar um outro lugar...
O ruivo concordou, e os dois atravessaram a rua juntos, rumando para algum lugar qualquer. Hyde estava animado para conversar com o outro mais uma vez, mas sabia que nunca iria conseguir fazer isso dentro daquele bar. As chances de Sakura estar por lá ou aparecer de repente eram muito grandes, e não se sentia nem um pouco apto a trocar qualquer palavra com o moreno por um bom tempo. O que ele havia feito ainda doía no coração do loiro, e não pararia de doer tão cedo. Sentia-se um lixo completo, usado, pisado, e depois esquecido, e agora não tinha mais certeza se realmente amava o Yasunori. Foram muitos anos de frieza, se parasse para pensar, e só agora ele percebia. Mas a idéia de estar sozinho era muito assustadora, mesmo que fosse respeitado pelo Príncipe, mesmo que tivesse Yukihiro e Dexter para apoiá-lo. Afinal, a sociedade dos vampiros era o que ele mais odiava, e todos podiam ser tão traiçoeiros quanto uma serpente, alguns muito mais que isso. Até aquele momento, Sakura tinha sido o único em quem ele confiava inteiramente, o único com quem podia contar sempre... e perdê-lo de repente dava muito medo.
- Hyde, tem certeza que está tudo bem? - o baixinho despertou de seus pensamentos com a voz do mais alto, e achou que devia parecer mesmo transtornado, a julgar pelo olhar preocupado que recebia dele. - Aconteceu alguma coisa?
- Nada com que você deva se preocupar, Tetsu... - respondeu, e sorriu levemente para ele enquanto andavam pelas ruas, procurando por algum lugar que parecesse convidativo.
- Não sorria. - o ruivo disse, e Hyde olhou para ele com confusão. - Você não está alegre, muito menos feliz, não precisa sorrir pra fingir que está tudo bem. Eu não vou me meter, mas dá pra ver que aconteceu alguma coisa que te deixou mal.
- Você é especialista nessas coisas? - perguntou, reparando mais uma vez em como aquele rapaz conseguia saber o que sentia. Parou de andar assim que avistou um pub do outro lado da rua, um que costumava freqüentar com o Awaji há alguns anos atrás. Apontou o lugar para o ruivo e então os dois seguiram para lá, e entraram no estabelecimento.
O lugar estava um pouco mudado, mas nada muito gritante. Era um ambiente razoavelmente confortável, com um espaço um tanto menor que o do bar que tinha com o Yasunori, mas Hyde não se importava. As luzes do lugar eram um pouco enfraquecidas, deixando que alguns tons de amarelo se fundissem com as cores claras das paredes, e a música calma do rádio sobre o longo balcão de madeira tocava alta. O Lasombra foi até o atendente, um homem gordo que lembrava um pingüim em certos aspectos, e depois mirou o ruivo.
- Vai querer beber alguma coisa? - perguntou.
- Não... Não estou afim de beber hoje.
- Então vamos usar esse lugar só pra conversar mesmo, e decidir o que vamos fazer.
Hyde foi andando na frente, e enquanto isso, Tetsu observava o lugar com curiosidade. Nunca prestava atenção em bares, e nunca havia entrado naquele também... Era como se estivesse apenas começando a conhecer a cidade verdadeiramente. Observou o baixinho à frente, seguindo-o para uma mesa nos fundos, onde a música não os ensurdeceria e poderiam ter uma vista relativamente boa da rua devido à grande janela. Os dois se sentaram nas cadeiras estofadas, um de frente para o outro, e Tetsu soltou um riso baixo.
- Que foi? - Hyde perguntou, mirando o olhar estranhamente animado que recebia do outro. - Eu fiz alguma coisa engraçada?
- Não... É que, te observando assim, parece que você gosta muito de bares.
- Você acha isso? - agora o loiro ria também, e cruzou os braços sobre a mesa. - É, se for analisar bem... até agora nós só conversamos em bares e boates...
- Você realmente não bebe? - Tetsu perguntou, reparando que o menor não tinha mesmo pego nenhuma bebida, e começou a pensar quando viu o gesto negativo do menor. - Você gosta de bares, mas não bebe.
- Eu não posso beber. Tive muitos problemas com isso. - e não era mentira, o loiro pensou. Só precisaria omitir a parte de não ter a mínima vontade de beber porque no momento estava morto... - Mas dependendo do bar, pode ser um bom lugar para ficar, ne.
- E por que não quis ficar no outro bar? Lá não é um desses bons lugares?
- Mais ou menos isso.
- Mas no outro dia você parecia à vontade lá.
- É que lá, hoje, tem uma pessoa que eu não quero ver. - Logo que terminou a frase, Hyde começou a se perguntar por que estava contando aquilo.
- Fugindo de alguém, como eu. Parece que é sempre assim. - o mais alto suspirou - Mas, mudando de assunto, eu nem conheço você direito... Você... trabalha em alguma coisa?
Hyde pôde ouvir o alerta soar dentro de sua cabeça, e teve que pensar rápido. - Eu... eu trabalho num escritório... com computadores. - disse, e precisou de um certo controle para não fazer uma careta. - Fico lá o dia todo.
- Então por isso você disse que não podia sair durante o dia... - Tetsu sorriu e coçou a cabeça - Eu trabalho num restaurante só durante o dia, cuido dos pedidos e às vezes preciso servir de garçom... Ken-chan também trabalhava lá, mas foi demitido...
- Ken-chan... aquele que atendeu o telefone ontem?
- Exatamente...
- Grosso daquele jeito, não me admira a demissão... - o loiro deixou escapar, lembrando-se da conversa da noite anterior, mas então percebeu que estava falando do amigo do ruivo e sorriu sem jeito - Desculpa...
- Mas ele é grosso mesmo quando quer. - o mais alto riu - Não foi nada. Mas acho que vocês dois iriam se dar bem.
- E por quê?
- Ele AMA bares.
Riram e continuaram a conversar desse ponto, falando sobre coisas do cotidiano. E com isso Hyde teve um estranho sentimento de nostalgia, como se estivesse voltando muito no tempo. Há muito não lembrava como era a vida normal de um ser humano, e Tetsu despejava tudo isso em cima dele, contando sobre o trabalho, sobre as confusões em que se metia com o amigo Ken, e sobre milhões de outras coisas. De repente começou a sentir que Tetsu era como um elo que podia ligá-lo ao que ele era antes. Achava que estava ficando louco, mas era isso o que sentia. Sabia que nunca poderia voltar a ser um humano, mas mesmo assim...
"Precisa parar de tentar ser como os humanos..."
Hyde virou o rosto e mirou o chão quando se lembrou da frase do Yasunori. Seu instinto foi cerrar os punhos com força, e só percebeu sua própria desatenção quando Tetsu parou de falar e o mirou preocupado.
- Não foi nada. - disse logo, no momento em que o outro abriu a boca para falar alguma coisa.
- Vamos sair desse lugar... - o ruivo retorquiu, sorrindo, e se levantou. - Andar por aí vai ser melhor.
Por incrível que pudesse parecer, Hyde não disse nada e apenas o seguiu para fora do estabelecimento. Os minutos foram se passando enquanto caminhavam em silêncio, sem um rumo definido, e a cada pouco os dois se sentiam mais estranhos. O Ogawa estava começando a achar que havia algum tipo de aura pesada ao redor do baixinho, como se ele fosse seguido por algum tipo de sombra que não o deixava em paz nem por um segundo. Sempre que olhava para ele, via um pouco de si mesmo. Um pouco de força, um pouco de fraqueza, um pouco de tristeza, desilusão. Chegava a ser assustador. Começou a pensar se o loiro não havia sofrido algo parecido com suas próprias experiências.
Perder a família para um monstro de caninos longos? Provavelmente não, mas talvez algo parecido...
- Quer me contar o que anda acontecendo? - pediu, antes que pudesse pensar direito sobre a própria pergunta. Logo depois que as palavras saíram, começou a se sentir tremendamente idiota.
- Você não ia querer saber, confie em mim. - o Lasombra mirou o amigo vestido de vermelho por um momento, e pôde notar que ele havia ficado completamente sem jeito. Sorriu e deu-lhe um leve tapa no ombro, de modo brincalhão. - Você é bem curioso, não é?
- Eu não vou ficar te incomodando...
- Não fique assim. - Hyde girou os calcanhares e passou a andar de costas assim que dobraram numa esquina, podendo assim mirar o ruivo diretamente enquanto faziam seu caminho cego. Seus sentidos não o deixariam tropeçar em qualquer coisa que fosse. - Eu conto o que anda acontecendo comigo, se você também me disser por que está com essa cara.
- Parece justo. É que... A minha vida já ruim o suficiente... estamos com uns tantos avisos de despejo nas costas, e há uns dias atrás eu e o Ken-chan vimos uma coisa... - ele lançou um olhar que fez Hyde entender que ele não queria contar o que era. Mas ele sabia muito bem do que se tratava... - E eu não sei, eu ando estranho desde aquele dia, e o Ken-chan vive falando bobagens o dia todo, não pára pra me escutar nem por um minuto... Tem outras coisas também, mas esse é um resumo.
- Parece chato... Mas você pode muito bem pegar esse Ken pelos ombros e sacudi-lo até que ele te escute. - Tetsu riu nesse momento, e o loiro simplesmente enfiou as mãos nos bolsos - E nunca diga que a sua vida é ruim... podia ser muito pior. - Você podia estar morto, era o que queria dizer na verdade. - Converse com o seu amigo, vocês vão acabar resolvendo o problema do despejo também.
- Parece tão fácil ouvindo você falar...
- No fundo é, mas nós teimamos em complicar as coisas.
- Isso é verdade... Mas agora é a sua vez.
- A curiosidade é forte. - Hyde viu o Ogawa coçar a cabeça de modo incômodo depois disso - Mas eu não me importo, então eu também vou fazer um resumo. Pense em alguém que você ama muito. - Tetsu estranhou, mas não disse nada - Agora pense que essa pessoa te magoa de um jeito que você não consegue explicar. Acrescente um pouco de dor física, algumas grosserias, um tanto de indiferença, depois coloque junto uma vida inteira de decepções e está feito o estrago.
O Ogawa emudeceu no mesmo instante.
- E pense que depois disso você não sabe mais se ama mesmo essa pessoa. - o loiro concluiu, olhando para os próprios pés enquanto continuava andando de costas, sendo observado pelo ruivo. Suspirou e voltou a olhá-lo. - Compartilhar amarguras é sempre mais difícil, ne...
- Amigos servem em todos os momentos, não só pra falar besteiras. Por sua causa, hoje eu vou chegar em casa e amarrar o Ken no pé da mesa pra ver se ele presta atenção no que eu digo. - Tetsu sorriu por um momento, ouvindo um riso abafado do Takarai. Observou por um momento como ele tinha habilidade para andar de costas, não havia dado um único passo em falso. Mas não pôde deixar de se preocupar novamente ao saber pelo menos um dos motivos para aquele semblante tão sombrio do pequeno. - Essa pessoa te feriu tanto assim?
De repente o menor voltou a andar normalmente, e respondeu à pergunta com um simples aceno de cabeça. - Mas eu não quero falar sobre isso agora. Prefiro falar sobre como essa parte da cidade está em carência de bons lugares pra ir...
Tetsu concordou e bagunçou levemente os cabelos do menor. A atmosfera parecia mais pesada e o céu mais escuro, como se fosse chover. E mesmo assim eles continuavam conversando pelas ruas, realmente sem achar um bom lugar para ir. Passaram por prédios e mais prédios, ruas totalmente residenciais, ruas totalmente comerciais, praças, e nada. Nenhum lugar atraía aqueles dois. Mas não era uma coisa ruim, afinal. Fosse conversando ou permanecendo em silêncio, aqueles dois se sentiam bem, talvez mais calmos e centrados na presença um do outro. Talvez assim conseguissem uma boa fuga de suas próprias vidas.
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E já era quase duas da madrugada quando Hyde finalmente alcançou a rua da casa do amigo albino. Havia se despedido de Tetsu meia hora atrás,em frente a uma daquelas lojas de conveniência que nunca fechavam, e agora já avistava a casa agourenta de Dexter. Mas foi avistando uma outra coisa que chamava mais ainda sua atenção, conforme se aproximava. Felizmente, o tempo que passara com o Ogawa o havia deixado de bom humor, e conseguiu rir em vez de ter qualquer outra reação estúpida.
- Dexter! - chamou, rindo discretamente, agora correndo até onde o vampiro estava, deitado no meio da rua logo em frente à sua casa, de braços abertos e pernas jogadas de qualquer jeito, os cabelos se espalhando pelo asfalto. Usava uma camiseta amarela que parecia coberta de purpurina, ou algo semelhante a isso, uma calça roxa larga e um tanto desbotada e um casaco preto. Tinha os pés descalços, apenas para tornar a cena ainda mais bizarra.
- Eu ainda não terminei de caçar, Alfredo. - foi a única coisa que o Malkaviano disse antes de começar a se contorcer ali, e o loiro precisou morder um dedo de sua mão direita para não rir alto. Era uma sorte que o vampiro morasse numa rua praticamente abandonada, ou já teria sido mandado a um hospício... e já teria causado o caos no hospício.
Depois de uma luta árdua, Hyde conseguiu fazer com que o Malkaviano se levantasse e o seguisse pela rua. E se fosse alguém que se importava com o que os outros pensavam dele, provavelmente se esconderia para não precisar andar junto do mais alto, isso porque, além da aparência totalmente deslocada, o lunático ainda andava dando pulos atrás dele, como se fosse uma criança. E o interessante é que ele pulava de uma maneira cada vez mais estranha conforme se aproximavam do centro da cidade, recebendo olhares escandalizados das pessoas ao redor.
- Dexter, pára com isso...
- Mas eu sou uma foca...
- Eu mereço... - o loiro soltou um riso cansado e continuou andando, observando as reações das pessoas pelo caminho. Agora já estavam se aproximando do prédio do Príncipe, e Hyde começou a pensar sobre a opinião que o Ventrue teria sobre a atitude chamativa do Malkaviano. Mal concluiu esse pensamento, e sentiu alguma coisa cutucando sua nuca. Olhou para o lado e teve um sobressalto ao notar o outro caminhando totalmente curvado, abaixando-se até sua altura, e batendo com o dedo indicador em sua cabeça.
Quando pensou em dizer alguma coisa, o albino enfiou o dedo em sua orelha. Pulou para o lado e observou o amigo rir descontrolado até ficar sério e se jogar para frente num salto. E várias pessoas riram quando o vampiro caiu estirado na calçada, permanecendo imóvel por alguns momentos.
- Levante-se daí... - disse o Lasombra, parando ao lado dele, e quando menos esperou, ouviu um latido. Olhou para os lados esperançoso, antes de aceitar que o som vinha mesmo do corpo inerte de Dexter. - Não faça isso comigo... - tarde demais. O maior se levantou e saiu correndo de quatro pela calçada, latindo para os transeuntes.
Talvez devesse começar a se importar com o que o amigo fazia em público. Colocando-se no lugar de um cidadão comum, deveria ser alarmante ver um homem anormalmente alto, albino, aparentando ser um mendigo, vestido da forma mais ridícula possível, e ainda latindo por aí.
Foi com esforço que alcançaram o tão almejado prédio e passaram pelos seguranças. A recepcionista lançou um olhar assustado para o Malkaviano assim que o viu entrar pulando e girando no elevador junto do Takarai, com uma expressão séria que contrastava totalmente com as esquizitices que fazia. Depois de alguns momentos perturbadores no elevador, onde Dexter não parava de tentar escalar as paredes, os dois saíram e se dirigiram até o corredor que levava ao escritório do Príncipe.
- Sejam bem-vindos. - disse uma voz grave, e os dois perceberam que o próprio Seiji os esperava do lado de fora de sua sala, de braços cruzados e expressão indecifrável, usando um terno totalmente branco. - Antes que perguntem como eu notei vocês chegando, o alvoroço que o Dexter fez lá embaixo não pôde me passar despercebido pela janela, por mais que o prédio seja alto.
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Enquanto isso, Tetsu caminhava devagar por uma rua silenciosa. Havia pensado em ligar para o Kitamura e pedir carona para casa, mas por fim decidiu andar. Talvez fosse melhor, e o ajudasse a refletir sobre tudo o que acontecera em seu dia. Primeiro outro aviso de despejo, depois a discussão com Ken, o casal estranho que encontrara na rua, e a conversa com o Takarai. Sentia como se sua cabeça tivesse dilatado. Olhou em volta. Era incrível sua capacidade para, no meio de Tókio, encontrar lugares quase desertos.
Suspirou e fechou os olhos, e sem que pudesse pensar em mais alguma coisa, ouviu o som de passos atrás de si. Ficou nervoso, mas sentia que estava exagerando, afinal, o normal seria haver mais de uma pessoa caminhando na mesma rua. Seguiu por mais alguns momentos, ainda ouvindo aqueles passos insistentes, e resolveu olhar para trás. Viu um homem pouco mais alto que si, andando de cabeça baixa, com um capuz negro cobrindo qualquer visão que pudesse ter dele. Ele estava a uns doze ou treze metros de distância, e parecia distraído. Talvez não precisasse mesmo se preocupar.
Porém, de repente, escutou um ruído estranho, seguido de um grito, Virou-se novamente e viu o rapaz que o seguia correr desenfredamente na direção oposta, logo desaparecendo depois da esquina. Silêncio total. Ficou ali parado, estático, não querendo pensar no que o jovem teria visto, mas já tinha uma idéia bem específica que teimava em invadir seus pensamentos. Vasculhou os bolsos, nervoso, e constatou que não tinha nenhuma arma consigo, nem um mísero canivete. Tentou se acalmar e respirou fundo, escorando as costas na parede do prédio cinzento e mal cuidado atrás de si.
- E assim o gato encontrou um novelo de lã perdido pela casa... - ouviu uma voz alta dizer, em tom de deboche, e quando menos esperava havia um homem logo à sua frente, segurando-o pelo pescoço contra a parede. Olhou bem para o rosto dele, antes de engasgar. Era pálido, tinha os olhos castanhos levemente opacos e uma barba negra tomava todo o seu queixo. Um lenço vermelho cobria seus cabelos curtos e pretos, e ele usava apenas uma mistura de colete e calça preta, com chinelos velhos nos pés. - Mas o novelo não era muito resistente... mesmo assim, o gato resolveu brincar...
E foi nisso que Tetsu viu os longos caninos do homem, agora tão próximo que quase tocavam os narizes. Além de estar apavorado, começava a ficar sem ar pelo aperto que sofria na garganta, e não tinha força suficiente para afastar o vampiro. Quando sentia que poderia desmaiar, foi solto. E despencou de joelhos no chão, aos pés do outro.
- A brincadeira não tem graça se dura tão pouco... - o vampiro disse, e desferiu um chute brutal no estômago do ruivo. Num movimento rápido, abaixou-se e tapou a boca do Ogawa para que ele não gritasse ou desse qualquer sinal, e acabou sendo atacado a socos. Deixou-se cair para trás, sentado na calçada, e observou o ruivo se levantar e mirá-lo com uma fúria sem tamanho. Sorriu. Então estava mesmo certo sobre aquele jovem humano.
- Eu sei que vou me dar mal, mas sair correndo não adianta mesmo... - Tetsu disse, pressionando com uma das mãos o local onde fora atingido. - Como o verme que você é, vai tirar o meu sangue até me secar, não importa o que eu faça.
- Bom saber que você tem uma noção correta das coisas! - o vampiro falou alto, rindo, e se levantou. - Então eu encontrei o cara certo, afinal... E, exatamente como eu imaginei, você é ingênuo o suficiente pra andar sozinho numa rua estranhamente deserta, mesmo sabendo que as crianças da noite existem... Devo dizer que foi um trabalho e tanto esvaziar esse lugar, mas valeu a pena.
Tetsu começou a ficar realmente furioso. Não poderia imaginar por que aquele vampiro teria se dado ao trabalho de esvaziar uma rua inteira apenas para pegá-lo, ou o que ele teria feito com as outras pessoas dali. E então, pela primeira vez no dia todo, desejou que Ken estivesse ali. Nunca antes havia enfrentado um vampiro sem o Kitamura, e ainda por cima desarmado. Sabia muito bem que poderia acabar morto, mas estava tentando não pensar nisso no momento.
O homem foi se aproximando a passos lentos, mas o Ogawa simplesmente não conseguia mover os pés e recuar. Estava paralisado diante da visão daquele cainita andando até ele, mostrando abertamente suas presas, ostentando um olhar maníaco. Tentou atacá-lo com socos novamente quando ele chegou perto o suficiente, mas ele apenas ria e se deixava atingir. Qualquer coisa que fizesse sem armas era totalmente inútil. E, dessa vez, o homem o pegou pelos dois ombros e forçou-o contra a parede novamente.
- Você vai escutar bem o que eu vou dizer, e vai repetir àquele seu amigo de cavanhaque que eu não consegui encontrar. - Tetsu arregalou os olhos diante dessa afirmação, mas não conseguiu dizer nada - Vocês se acham muito espertos, mas cada passo que dão é vigiado. Se a Camarilla não faz nada a respeito de humanos medíocres como vocês, que se acham caçadores de vampiros, então nós faremos alguma coisa.
Antes de qualquer reação que pudesse ter, antes sequer de conseguir dar fim a uma respiração, sentiu duas longas presas se enterrando na base de seu pescoço. Gritou ao mesmo tempo que ficou imóvel, mas o vampiro não parecia ter qualquer intenção de silenciá-lo, e passou a beber seu sangue com ferocidade. Após alguns momentos, Tetsu já estava tonto ao ponto de parecer dopado, e não conseguia falar. Estava quase deixando que seus olhos se fechassem quando foi solto e depois lançado de qualquer jeito contra o chão.
O moreno se abaixou ao seu lado e puxou seus cabelos para cima, fazendo com que o olhasse. Ele tinha a boca completamente suja de sangue escuro. - Considere isso um aviso. Sou o Ravnos Yago, e se eu chegar a ver você e aquele outro idiota saindo para... "caçar"... mais uma vez... eu torturo e mato ele na sua frente e depois dou um fim em você também. E saiba que eu não falo as coisas de forma leviana.
Sentiu sua cabeça bater na calçada quando o moreno o soltou novamente, e pôde ver um sorriso naquele rosto psicótico antes que ele erguesse o corpo e começasse a escalar aquele prédio tranqüilamente. A dor que sentia no pescoço era aguda, agravada pelo fato da ferida não ter sido fechada pelo vampiro, e sabia que o sangue estava escorrendo, manchando suas roupas. Mas não conseguia se mover, estava muito fraco, e sua visão ficava cada vez mais borrada.
Perdeu a consciência ali mesmo, jogado na calçada de uma rua qualquer, sem que ninguém soubesse onde estava.
~continua~

;________________; toshinha o que vc fez com o tetsu??!?!?!
tetsu o power ranger vermelho e hyde o chupa-cabra yeaaaaaah ò___ó/
xDDDD~~~

coitaaaaaaaaado do tetsu!!! tomara q o hyde empale esse doido q mordeu o tet-ranger-vermelho!! (66)
toshinha... jah t disse q eu AMO o dexter? ele eh taum feliz!! xD~

Tadinhoo do Tetsu o_O
Espero que haido o encontre e acabe com aque maldito que feriou o tetsu power ranger vermelho xDD~
_____________________________________
♡ иєє, кσииα кαтα¢нι иσ ∂єαι
ѕнιкα иαкαттα иσ кαиαѕнιι иє
αиαтα иι ѕнιи∂ємσ αуαмєтє нσѕнιкυ мσ иαι ...σиєgαι ♡


tetsu o power ranger vermelho e hyde o chupa-cabra yeaaaaaah ò___ó/
ºOº/ OMG!!!! =/ tetsu nom mereceeeeee ~><~
nonsa dessa vez demorou hein OOº

Conitinua maravilhosa sua fic!!! Como sempreee!!!
Mt boaaa!!!
Coitado do tet!!

Adoreiiiiii oDexter ... muito felizão .. ^^
Tadinho do tet-chan !!!!!! Naum vejo a hora do vampiro q mordeu ele levar uma surra !!!!!!!
Go go ler o proximo capitulo !